Viajar não é propriamente a minha actividade preferida mas do que não gosto mesmo é da gente que adora (com o dê muito estendido e os olhinhos para cima) e teima em obsequiar-me com as suas aventuras patrocinadas pela agência Abreu. Não há nada mais maçador que estar a ouvir um cidadão a contar o seu encontro imediato de terceiro grau com um elefante num fabuuuuuloso safari na Tanzânia ou a discrição da viagem de comboio no Machu Pichu ou os comentários muitíssimo inteligentes sobre as características dos eslovacos e o seu amor por t-shirts amarelas ou sobre o amor que todos (mesmo todos) os guatemaltecos nutrem por os livros da Rita Ferro ou da falta de higiene (mesmo, mesmo todas) das islandesas.
Quando a coisa fica pelas historietas ainda se consegue aguentar - particularmente depois da invenção do Ipod - o pior é quando as apaixonadas narrativas são acompanhadas por fotografias ou, pior ainda, filmes. Já todos estivemos presos no Guantanamo das quinhentas fotografias com explicações meticulosas das particularidades em que cada uma foi tirada e/ou do filme chatíssimo com os personagens calçados com umas sandálias pirosas e umas camisetas muito desportivas.
Estas desesperantes criaturas são, normalmente, as mesmas que nos convidam para vermos as fotos e o filme do casamento. Não interessa se foi há uma semana ou quinze anos. Temos de ver as cenas muito giras do bolinho a ser cortado, da dança, do paizinho a segurar a sua lagrimita, do noivo a ser atirado à piscina pelos foliões amigos, da bebedeira do António ou da Cristina a dançar o Bem Bom das Doce como se fosse a reincarnação da Laura Diogo.
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