Sábado, 6 de Dezembro de 2008

Os cantores do rádio

Tenho muita mais confiança nos meus ouvidos que nos meus olhos. A única possível excepção serão as letras impressas  que os meus olhos vêem e que deixam que o meu complexo cerebral faça as suas próprias imagens. Gosto, porém, do mediador rádio (nunca gostei do termo telefonia) talvez seja por isso que me entusiasmo muito mais quando ouço as minhas músicas preferidas na rádio em vez de ser eu a fazê-la tocar num qualquer IPOD ou tocador de CDs.

 

Tenho memórias fantásticas de grandes programas de rádio: dos "Meus caros amigos" do José Nuno Martins, de que recordo programas fantásticos com o João Ubaldo Ribeiro e que se viria a tornar dos meus escritores favoritos,  do Herman no Rebébeu pardais ao ninho do "Sem margem”, do "Pão com manteiga", do "Passageiro da noite", do "Em órbitra", do “Rock em stock”, de todos os programas do meu eterno herói  António Sérgio, do Programa da manhã do Sala e da Olga, do Pajú, do Oceano Pacifico, da Discoteca, do Pessoal e Intransmissivel (que, infelizmente, tem um entrevistador a quem só falta lavar o rabinho com água de malvas aos entrevistados), do OK computador ( da minha actual rádio favorita), do Flash back (onde se prova a superioridade da rádio sobre a Tv), da “Febre de sábado de manhã”, dos “Cinco minutos de Jazz” do enorme Jazzé Duarte, dos grandes Parodiantes de Lisboa, da “A idade da inocência” (que bastava a moedinha do Tom Waits para merecer ouvi-lo)   e de  tantos, tantos outros. Mais, eu gosto tanto da rádio que até conseguia ouvir o inenarrável “ A vida também se diz “ da Renascença.

 

Lembro-me da mais famosa rádio novela portuguesa a “Simplesmente Maria” que eu ouvia com a minha avó e que fazia chorar as pedras da calçada (não é que percebesse alguma coisa do que se estava a passar...). Talvez seja por isso que um dos livros da minha vida seja “A Tia Júlia e o Escrevedor” que é o melhor livro do Vargas Llosa e que para mim é um livro sobre tão somente sobre ... a rádio e o meu filme preferido do Woody Allen seja, é claro, o “Radio Days”.

 

Quem não se lembra de uma das mais famosas frases da rádio portuguesa: “ Posso dizer a frase ?” do clássico “Quando o telefone toca” ou para a geração dos meus pais: “Nós por cá todos bem” ou ainda do: “Rádio Moscovo não fala verdade”.

 

Não posso perdoar à televisão ter destruido dois desportos que deviam ter exclusivo de transmissão na rádio: o Futebol e o Hóquei em Patins.

Enquanto o Hóquei era apenas transmitido na rádio era um desporto fabuloso. Os relatadores narravam o que viam, e de facto, só eles é que sabiam ver e desta forma  era mais que um desporto, aquilo era o maior espectáculo do mundo... passou para a TV e... morreu. As pesssoas queriam ver a bola e de facto, existia esse “pequeno” detalhe”, a bola não se via, mais, só se sabia que era golo quando vissemos os jogadores a celebrar.  Mas para que diabo queriam as pessoas ver o jogo ? O que nós gostavamos era dos relatos emocionados, da descrição das piruetas fabulosas dos Livramentos e Cristianos, dos golos por debaixo das pernas,  das defesas épicas do grande Ramalhete, dos espanhóis a chorar. Se a gente via muito melhor através dos relatadores para é que queríamos ver com os nossos mentirosos olhos ?

E compara-se alguma vez a emoção de “ver” um jogo de futebol através da rádio ou através da televisão ? Mais uma vez os nossos olhos nos mentem descaradamente: se são os nossos olhos a ver, uma bola no nosso meio campo não nos entusiasma, mas se “virmos” através da rádio, a bola está quase a entrar na baliza adversária. É por isso que vemos tanta gente nos estádios com o rádio no ouvido, essas pessoas sabem que os seus olhos lhe estão a mentir e por isso levam o transmissor para que possam ver o jogo como deve ser...

 

Um estúdio de rádio é  meu lugar de culto porque nos meus sonhos mais cor de rosa eu estou a fazer um programa. A pôr uns discos e a dizer umas larachas  e os sonhos é que são verdade, o resto é a desinteressante falsa realidade da televisão. Quando acordo descubro que não estou lá, mas ao menos ouço um qualquer locutor a contar-me as novidades enquanto ainda estou de olhos fechados.

 

Vivam os cantores da rádio.

 

crónica para a Atlântico e com dedicatória ao Vasco Barreto

 

 

publicado por Pedro Marques Lopes às 16:24
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Os Direitos dos Cartoons

Alguém já deve ter escrito a frase algures: o homem é o cartoon de Deus. Se não escreveu, devia ter escrito. O homem é, de facto, a criação mais engraçada do divino. Nota-se no desenho dos homens que os traços não foram estendidos no papel ao acaso. Basta olhar à volta: há uma notória maldade nestas criações divinas. Quem nos desenhou fê-lo com a maldadezinha necessária ao olhar do sátiro. Aquele olhar que começa por embalar os objectos da sua verve com ternura para logo os chicotear com a arma do humor. Dito de uma forma mais curta e directa: o velho (se existir, claro) certamente divertiu-se muitíssimo no recato do seu atelier quando nos desenhou a todos.

 

Também me diverti muito, confesso, na minha ida ao Porto para participar no júri do X Porto Cartoon – World Festival. Diverti-me e cresci – outra forma de divertimento, pois. Cresci porque tive oportunidade de, num curto período de tempo, passar os olhos por muitas obras de qualidade e rasgo desse cartoon de Deus que é o homem. Por muitos cartoons desenhados por cartoons. O tema, esse, não poderia ser mais apropriado à mistura: Direitos Humanos. Que, para continuar na mesma linha de raciocínio, são os Direitos dos Cartoons. (Não, não era minha ideia transformar esta nota numa confusão, mas, por força do delírio da pena, aconteceu; peço desculpa).

 

Fixemo-nos nos trabalhos vencedores. Podia deixar aqui um comentário cartoonisticamente correcto e dizer que me foi indiferente o facto de ter sido o lusitano Augusto Cid a vencer a edição do Porto Cartoon em que participei como júri. Mas não: assumo que senti um certo orgulho. Não especificamente pelo facto de o premiado ter sido um português. Mas pelo facto de o melhor trabalho em concurso ter sido criado por um português – o que é muito diferente. O “olímpico” trabalho de Augusto Cid causou logo uma impressão forte em todos os membros do júri. E teria sido uma injustiça não galardoá-lo com o primeiro dos prémios.

 

 

 

 

Mas se o trabalho de Cid tinha uma forte componente humorística (provoca o riso, pronto), o trabalho que ficou em segundo lugar, da autoria do turco Muhittin Koroglu, dá origem ao mais difícil e ao menos habitual dos sorrisos – o sorriso irónico, filho do humor e da melancolia. Cinco homens apontam armas para uma porta de onde vem a luz. A situação, supremamente absurda, está consagrada com mestria. E é prova de que o cartoon não tem de ser necessariamente uma arte directa. A metáfora também cabe – e bem - no género.

 

 

 

Saltemos por fim para os trabalhos que ficaram em terceiro lugar – o do brasileiro Dálcio Machado e o do sul coreano Taeyong Kang. Ambos excelentes trabalhos com objectivos, traços e resultados diversos. O do primeiro trata da questão do racismo e o segundo da escassez (neste caso) de peixe que existe nos mares de um mundo que se vai esgotando. Dois temas pertinentes. Dois artistas de talento. Dois trabalhos de excepção. Este ano foi assim – dizem os repetentes do júri, pessoas com quem aprendi bastante sobre esta arte. Havia trabalhos tão bons a concurso que foi muito difícil escolher os melhores. Sinto-me sortudo também por isso.

 

 

 

 

 

 

 

(Texto incluído no livro sobre a edição 2008 do Porto Cartoon).

publicado por Nuno Costa Santos às 14:37
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Quinta-feira, 4 de Dezembro de 2008

O problema da cunha

 

O problema da cunha não é o tráfico de influências. O problema da cunha é que não funciona. Na maior parte das vezes não funciona. Ok, todos conhecemos casos de filhos e sobrinhos e enteados e afilhados que foram colocados em lugares-chave depois de telefonemas feitos à hora certa com o tom de voz certo, mas a pergunta que faço é: quantos filhos, sobrinhos, enteados e afilhados ficaram por beneficiar no processo – também ele moroso e burocrático – da cunha? Quantos cidadãos ficaram condenados a vidas de miséria quando podiam ter chegado lá por via de uma cunha eficiente e eficaz – aquelas como devem ser? O sistema da cunha ainda é mais lento do que o sistema de justiça. Isso chateia.

 

Sim, em Portugal nem mesmo a cunha funciona. Fica a meio, normalmente. A cunha até pode ser bem pensada, bem feita, bem praticada – o jantarinho até estava bom, o vinho impecável, a sobremesa um mimo, a conversa do melhor. Mas depois, nos dias a seguir, o engenheiro nosso amigo vai adiando o momento de dizer à secretária para ligar ao departamento de recursos humanos. Esquece-se. Perde o post-it. Manda a nota para lavar com as calças de bombazina. E o processo da cunha, que até começou bem, falha redonda e implacavelmente. Deixando, como se costuma dizer, um gajo apeado. Um gajo sonha, faz planos e depois dá nisto. O melhor é ficar quieto.

 

Há pessoas que levam cinco, dez anos à espera que uma cunha se resolva – o que é inaceitável. A cunha, a boa cunha, devia ter efeitos na hora. Um tipo devia ir à Loja do Cidadão, esperar dois ou três minutos, ser atendido por um funcionário amável e ir para casa já colocado num lugarinho de eleição. Assim é que era. Mas não. Um tipo mete uma cunha e sofre – por si e pelo primo que quer ver com uma vida feliz e desafogada. E que todos os dias liga a perguntar “se já há novidades”. Não, não há novidades. Até que chega o dia em que se deixa de atender o telefone. Por vergonha. Ele apostou tudo na nossa capacidade de pôr uma cunha e afinal os resultados são nulos. É todo um prestígio que vai por água abaixo. É  humilhante ser incompetente a pôr uma cunha.

 

 

Por tudo isto, talvez seja conveniente colocar a notinha no frigorífico ainda antes de 2009: não à cunha. Sim, à apresentação  - directa, sem mediações - do talento próprio. Mais vale ir bater à porta do engenheiro ou apanhá-lo nos mictórios do que esperar que “aquela conversa”  tenha qualquer tipo de seguimento. Chegou a altura de apresentar o caparro ao próprio do empregador. De fazer o número à frente de quem decide e coloca cidadãos no quadro. É mais eficaz. Dá mais possibilidades de emprego. Para quê pôr uma cunha para fazer um table dance num bar em Alfornelos (que, com certeza, não vai funcionar) se posso fazer uma demonstração no momento no snack em frente? Para quê pedir a um amigo de um amigo para dizer a um amigo de um cunhado para dar um toque para publicar um livro numa editora se posso raptar o editor e obrigá-lo a ouvir os meus poemas de fio a pavio numa bicha para a ponte? A cunha é uma merda. Dá muito trabalho e não leva a lado nenhum.

publicado por Nuno Costa Santos às 10:24
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Quarta-feira, 3 de Dezembro de 2008

Manifs

Eu adorava manifestações. Sabendo que havia um ajuntamentozinho onde se berrassem palavras de ordem e uma marcha, de preferência, Avenida da Liberdade abaixo e lá ia eu.

Era uma sensação única: de braço dado com os camaradas, fossem eles do PSD ou do PCP, do sindicato dos Metalúrgicos ou do movimento Pró-Vida, incentivando os companheiros de luta menos entusiasmados, insultando os inimigos, acenando a cabeça - tipo concerto death metal - aos discursos, eram sempre umas horas bem passadas. Apesar de a manif por si, qualquer que fosse o tema repito, valer sempre a pena, a verdade é que quanto mais à esquerda fosse a dita, melhor. Aquelas musiquinhas são irresistíveis. Quem nunca experimentou descer a Avenida da Liberdade a cantar o “Unidade, unidade, unidade, do trabalho contra o capital” ou a entoar um belo “de pé famélicos da Terra” num comício de apoio aos heróis da revolução cubana na Voz do Operário, não sabe o que perde. Para mais, as festas destes cidadãos são coisas mais sérias. Há momentos em que parece mesmo que eles acreditam naquelas coisas. Ou, se calhar, era eu que os intimidava com o ar convicto que gritava a Internacional ou me comovia com o sofrimento dos povos oprimidos ou a luta contra o imperialismo dos resistentes albaneses.

Outros que têm muito jeito para estas coisas são as Igrejas, pelo menos, a que conheço melhor, a Católica. Estou convencido, aliás, que este meu gosto pelas manifs tem a ver com o facto de ter frequentado missas até a adolescência. Apesar de a comunhão ser menor (e se calhar foi por isso que desisti: aqueles ares pesados e o pessoal ajoelhado e de cabeça baixa a barafustar baixinho não é propriamente divertido), sempre havia umas musiquinhas jeitosas e uma parte de que gostava muito que era quando nos tínhamos de saudar “na paz de Cristo”: ia por ali fora a distribuir bacalhaus e beijocas que era um mimo.  E, lá está, esta rapaziada também parece mesmo que acredita no que o líder apregoa.

Infelizmente, tive um desgosto que acabou com estas minhas actividades de manifestador amador tipo operário da Lisnave de 1975.

Eu era um rapaz que organizava as minhas incursões “manifesteiras”. Tinha o meu sobretudo verde para a campanha do Freitas, o meu belo lenço de xadrez palestiniano, a minha T-shirt do Che. Treinava o quequismo (maneira de falar com muito “percebe” e “pronto” e que deu muito jeito para os referendos do aborto), aprendi umas palavras de eduquês (as manifs de professores estão sempre na moda), enfim, tudo como devia ser. Até que um dia, fiquei mesmo indignado com o aumento das portagens na Ponte 25 de Abril e resolvi ir participar no bloqueio. Aquilo foi mesmo do coração, nada que ver com o meu hobby. Num impulso, saí a correr do trabalho e meti-me no carro. Dei a volta por Santarém e cheguei ao bloqueio a buzinar como um possesso. Achei que estava a perder qualidades já que as pessoas olhavam para mim, assim, meio de lado, algumas chateadas mesmo. Até que fui insultado e partiram-me o vidro da traseira.

Três meses para a peça chegar de Inglaterra: a Rolls Royce não tinha o vidro em stock.

 

publicado por Pedro Marques Lopes às 08:15
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Terça-feira, 2 de Dezembro de 2008

história do cronista e dos gatos que o ensinaram a perder tempo

Sou um homem com dois gatos para criar. Foi uma coisa inesperada. Não planeada. Aconteceu. Juro. Assim à laia de noite de loucura. Agora, arco com as consequências. A literatura, o trabalho, a casa, eu próprio, nada disto foi mais o mesmo. Dou por mim pasmado a olhar-lhes os focinhos imóveis, os olhares imperscrutáveis, os instantes repentinos em que se desatam a coçar ou lamber alucinadamente. Em vez de escrever. Em vez de trabalhar. Em vez doutra coisa qualquer. Porque outra coisa qualquer seria mais útil.

 

É bizarro. E estou preocupado. A família não me preparou para isto. Nem a escola. Nem a Filosofia. Nem os anos de trabalho que levo. Uma pessoa educa-se para as finalidades, para a consequência, para a produção. E acaba a esbanjar horas do dia, dias a fio, a limpar dejectos em caixas de areia, derramar ração sobre tigelas anacronicamente infantis, a fazer festas e cócegas e a levar marradinhas e a perdoar-lhes cruzarem-me o teclado a correr, para cá e para lá, perseguindo-se, resultando em belas prosas de texto, ready made, deste estilo:

 

Wwwwwwwwwwwwwwwwghbcnsiuyhrn38iznbmfiou7ewnfcmovuu7hb323 klfujjhaoanmddddddddddddçlkvjhklbooooooooooooooo

 

Eles gostam de insistir nalgumas teclas. Às vezes, quase reproduzem sequências exactas da “Ode Triunfal”. Mas não sei que espécie de felinos teria Álvaro de Campos. Nem que lhes deu ele a ler, se mais os franceses, se mais os anglo-saxónicos.

 

Pior. Há angústia. Não pelo que não estou a fazer, a produzir, a avançar. Mas por não estar mais com eles. Sobretudo, pela impossibilidade de entrar naquelas pequenas cabeças adornadas de bigodes e orelhas desmesuradas. Há dias, leitor, em que fico à espera de ouvi-los rir. Haverá medicação para isto?

 

Tenho a casa a cheirar a gato. Perco preciosos quartos de hora de manhã a aspirar a areia que espalharam pelo chão da cozinha numa interessante instalação pós-moderna. E a cumprimentá-los e abrir-lhes a porta e falar com aquela voz de desenho animado que todos imbecilmente fazemos quando nos dirigimos a animais domésticos.

 

E creio que isto nunca irá a lugar nenhum. Mas também nunca será melhor. Tê-los a dormir sobre nós ou a andarem-nos entre as pernas quando se regressa de fim-de-semana. É um amor parvo e inútil. Comme il faut. Mas chateia-me que nunca possam vir a ler este texto. E a limitar-se a um curto gesto de cabeça, bigodes e orelhas desmesuradas, de aprovação ou censura. Não pedia mais.

 

Por outro lado, ao menos não dão palpites. E têm um silêncio e uns gestos indolentes e demorados com que talvez venha ainda a aprender.

publicado por Alexandre Borges às 01:15
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