Terça-feira, 15 de Julho de 2008

Ninguém me tira a t-shirt na praia

O Verão pode ser muito bom, muito agradável e mais isto e aquilo mas, para nós, gordos, é a mais sinistra estação do ano. Bem queremos fingir que não está calor e continuar a vestir umas calças compridas, umas camisas, uns pullovers jeitosos e uns casaquinhos mas, infelizmente, este calor infernal obriga-nos a tirar a roupa de que tanto precisamos. Digo bem: precisamos. É que com esta, lá vamos disfarçando as barrigas, o pescoço - ou melhor, os vários pescoços -, os tornozelos redondos e todos estes pedaços de corpo que astuciosamente vamos disfarçando com sapiência, filha de anos de petisquinhos consumidos com um amor que só os gordos nutrem pela comida.

O tormento começa ali por Maio quando olhando para as nossas rotundas formas pensamos que é tempo de não passar as vergonhas habituais de ver as t-shirts denunciarem o umbigo ou de parecermos uns pinguins a caminhar para o mar quando nos dispomos a refrescar. Pagamos a jóia do ginásio, contratamos um personal trainer e começamos a fazer ginástica como se não houvesse amanhã. Ele é saladinhas, águas medicinais, depuralinas – que pelos vistos eliminam os quilos de gorduras acumuladas – e passado um mês emagrecemos 235 gramas. Boa. Irritados por tanto esforço e pouco proveito vingamo-nos numas imperiais e uma feijoadinha e pronto lá pomos um quilinho mais. 

Se na cidade, as roupas que exibem a nossa obesidade já nos envergonham, a praia é um autêntico inferno.  Isto de ter a barriga a cair por cima dos calções, não é propriamente uma imagem adónica. Se a isso somarmos aquele andar à pinguim, fruto das malditas micoses estivais temos o espectáculo montado. É ver as malditas criancinhas a imitar o caminhar do Bucha - o amigo do Estica – quando vamos tomar banho. 

O gordo devia ir de férias no Inverno, o que tem de ir no Verão vem mais cansado e deprimido do que se tivesse trabalhado 10 anos consecutivos.

 

publicado por Pedro Marques Lopes às 02:00
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Segunda-feira, 14 de Julho de 2008

Porto mordido

A melhor carne provada desde que chegou a Portugal: posta de vitela à Mirandesa, no restaurante D. Tonho, Porto. Talvez haja aqui uma predisposição para perdoar, mas é verdade que a primeira garfada foi suficiente para desculpar Rui Veloso por todos os maus álbuns que se seguiram ao trabalho de título homónimo, que data de 1986. 

 

publicado por Homem do pullover amarelo às 15:13
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Sexta-feira, 11 de Julho de 2008

Onde anda a ASAE quando é preciso?

 

Não sou grande adepto de festivais de música. Continuo a pensar que, no fundo, são uns acontecimentos onde por acaso tocam umas bandas – umas melhores que as outras – e que serve para os cidadãos irem beber uns copos e fumar uns charros sem que ninguém os chateie. Suspeito, aliás, que mais de metade das pessoas que vão aos festivais saiem de lá sem saber muito bem o que ouviram. Eu próprio, ontem, no Optimus Alive, só de inalar – sem engolir, note-se – consegui apanhar uma “pedra” tal que posso jurar que vi a banda do circo Mariano logo a seguir aos National e que uns rapazes já entradotes com ar de sequestradores da Ingrid puseram aquele povo a cantar a Internacional Socialista em russo logo a seguir a um elogio ao José Saramago. Não me preocupa rigorosamente nada o consumo de tão agradáveis substâncias mas aconselho os meus concidadãos a terem uma conversinha com os dealers: a erva e o haxe estão, com certeza, estragados.

 

publicado por Pedro Marques Lopes às 17:32
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Terça-feira, 8 de Julho de 2008

texto despropositado e completamente inútil contra os sérgios

Concluí, recentemente, nunca ter conhecido um só Sérgio que importasse para alguma coisa.

 

Os nomes não deviam ter nada a ver com a personalidade anexa, mas têm. Um João, um Pedro, um Paulo ou um Nuno, por exemplo, podem ser o que quiserem (todas as nossas namoradas ou mulheres tiveram, pelo menos, um ‘ex’ com um destes nomes), mas um Sebastião é, necessariamente, um pachola. Um Francisco garante boas conversas. Um Armando tem um passado complicado. Um Zé faz sempre falta. Sobretudo, um senhor Zé que trabalhe na restauração ou passe recibos verdes na categoria de engenhocas. Toda a gente tem um tio Manel. Há muitos Filipes bons tipos. Rodrigos e Tiagos são bons nomes de amigos. Os Ruis, quando antecedendo sobrenomes fortes, vão longe. Tal como os Luíses. Os Diogos, Martins e Salvadores podem ser o que lhes apetecer que hão-de sempre guiar carros melhores que os nossos. Um Artur não se encontra assim, sem mais nem ontem. E um Jorge é gajo para perceber imenso de mecânica.

 

Os Sérgios não. Os Sérgios são uma coisa assim tipo enguia. Os Sérgios não falam alto, não fazem ondas, não enchem o peito. Os Sérgios são aqueles tipos que se sentavam a meio da sala, na escola. Os que não jogavam à bola nem muito bem nem muito mal, não eram bonitos nem feios, nem porreiros nem antipáticos. Eram assim-assim. Os Sérgios são aqueles tipos que fazem aquelas piadas mais ou menos, a que sorrimos com um “ham”. São os funcionários intermédios da empresa. Não estão nem na recepção nem nos gabinetes, mas nos corredores entre uns e outros. O Sérgio tem o nome numa placa na farda da Worten, chega integrado no pelotão na Volta a Portugal, acaba em sétimo no Festival da Canção; e, se publica um livro, é de certeza um manual sobre um instrumento musical do género do adufe.

 

Nunca houve um Marquês Sérgio, um Capitão Sérgio, um Sérgio, o terrível. O Sérgio compra carros em segunda mão. Utilitários, de preferência. Vai ver o filme óbvio e compra o disco de que toda a gente fala. Se sei de rapariga que namore com um Sérgio, percebo logo que não encontrou um Álvaro ou está na ressaca dum Ricardo. Se vou ser atendido por um Doutor Sérgio, deduzo de pronto que terei de ouvir segunda opinião.

 

O Sérgio é um Dário. O equivalente a uma Fábia para as mulheres.

 

O Sérgio nunca me fez mal nem bem nenhum. E isso enerva.

 

 

 

PS1: Cai fora do âmbito desta crónica a ocorrência de “Sérgio” enquanto sobrenome. Vide: António Sérgio e Manuel Sérgio.

 

PS2: O Serge Gainsbourg não conta porque não e o Sérgio Godinho também. Aliás, o Sérgio Godinho deveria, claramente, chamar-se Vasco. Ou Joaquim.

 

PS3: Responderei a todos os comentários que assinalem a perfeita injustiça desta crónica. Excepto aos de pessoas que assinem “Serginho” ou “Serjão”, por razões diferentes, mas que me parecem, em qualquer dos casos, por demais evidentes.

publicado por Alexandre Borges às 02:14
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Domingo, 6 de Julho de 2008

bucareste blues

leio e pasmo, na roménia faz-se força para aplicar uma nova lei que obrigará os media daquele país a transmitirem boas e más notícias em partes iguais, rigorosamente 50/50, como no quem quer ser milionário, palavra quase desconhecida do povoléu à volta dos cárpatos com excepção dos seus vampiros mais famosos, dracul e ceausescu, que se saciaram de outros anos a fio, amanhãs que cantavam, ou que mordiam, falar-se-á disso se houver igual dose de boas novas, suspeito que se se avançasse com coisa parecida no nosso cantinho atlântico aplicava-se a regra das impossibilidades, vá-se lá encontrar 45 minutos de good vibes para encher a metade do chouriço informativo da tvi, de um lado a subida dos combustíveis, do outro a excelência dos pastéis de nata da casa chinesa, à rua área, que ainda não fazem notícia, o que é pena. venha de lá a legislação, por aqui também há muito salafrário com os caninos afiados, ansioso por cantar boas novas até 2009.

 


publicado por Pedro Vieira às 01:20
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Sábado, 5 de Julho de 2008

Citrinos e marmelos

 

 

Imagem do filme El Sol del Membrillo (Victor Erice, 1992)

 

Plantar uma árvore, fazer um filho, escrever um livro. A definição árabe para uma vida completa, simples e abrangente, é na verdade muito dúbia e desajustada da vida moderna. Isto foi já notado por outros, mas recapitulemos. O Livro. Haverá critérios? Haikai em obra colectiva de editora obscura que vende 30 exemplares para os pais e amigos, conta? Edição de autor, conta? Não conta? Mas não será este o melhor exemplo de tomar as rédeas do futuro? Dúvidas. O Filho. Se houve acidente e a futura mãe depois desaparece sem dar notícia, conta? Abdicar do filho para que os familiares os tenham, conta? Adoptar, conta? A árvore. Plantar uma árvore acusa os mesmos problemas de indefinição das anteriores tarefas – o pinheirinho plantado na escola, conta? Um eucalipto no Alentejo, conta?  - mas mesmo em tempos de fervor ecologista é a mais negligenciada das três. É pois a que sobra para contar. 

 

 

 

 

 

 

Ofret (Tarkovsky, 1985)

 

(Continua)

 

publicado por Homem do pullover amarelo às 11:58
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Sexta-feira, 4 de Julho de 2008

Três notas soltas do sinusítico canhenho

Mais Decos. Nas redacções do país o jornalismo contina a olhar de lado para a criatividade. A ortodoxia jornalística (e há muito conservadorismo entre os jornalistas) teme a imaginação criativa - tomada como "pouco séria" e "delirante".  Por cá o paradigma é "lança-se um tema e uma história seguidos da opinião do especialista de serviço". Mas a verdade é que, sabemo-lo, o melhor jornalismo do mundo não se fica. Rasga sempre que pode - nos temas, nos ângulos, nas abordagens, nas vozes que são chamadas a cruzar depoimentos. 

 

Ups, desculpe. Continua a ser um dos nossos maiores defeitos. Desrespeita-se pouco em Portugal - aliás, a reemergência de Manuela Ferreira Leite, misteriosamente apelidade de "lufada de ar fresco" numa emissão da SIC Notícias, só se compreende se olhada pelo medíocre ângulo do "respeitinho". Nos debates, nas conferências, nos "encontros", as veneráveis figuras são demasiado veneradas e acaba tudo por ser demasiado previsível, bem comportadinho e enfadonho. Portugal só será um país decente quando não houver medo de esticar o pé à passagem dos senadores. (E, já agora, quando se deixar de usar por dá cá aquela palha a ridiculamente pomposa designação "senadores").

 

Notinha inconsequente e sentimental. Poucas coisas me comovem tanto como ouvir certas pessoas falar dos seus. Os olhos abrem-se, vivos e brilhantes, durante as histórias que se contam e os episódios de família (de uma tia, de um sobrinho, de uma avó que marcou a infância ou de quem ouvíamos falar nos jantares) são enrolados, dedicada e naturalmente, nas mortalhas da ternura e do humor.

 

publicado por Nuno Costa Santos às 03:18
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Quinta-feira, 3 de Julho de 2008

Um Shot de metadona

 Ao subir a escadaria, é impossível não reparar nas grades que impedem o uso do poço para suicídios. Foi com o fim de economizar mão-de-obra e material que não colocaram as grades na vertical, o que teria deixado o poço desimpedido mas inacessível, porém a opção de uma grade na horizontal por piso resulta ostensiva e cada uma parece estar ali mais para encurtar e amortecer a queda do que impedir o salto. Eis-nos perante tradução arquitectónica da praxis  psiquiátrica contemporânea. Quanto à ostensão, as criaturas que se passeiam de pijama ou robe pelo quarto andar explicam por que razão a psiquiatria, muito mais do que as aulas de escrita criativa ou as bibliotecas de família, forja escritores. Zombies em pijamas velhos, alucinados cruzando-se com os jovens lobos da disciplina que se preparam para destronar Daniel Sampaio no papel de santo laico. Uma hora a observar aquele lugar produziria material para seis meses de narrativas e desnudaria o Nobel material que é o Dr. António Lobo Antunes em gajo de Benfica com jeito para metáforas. Não havendo pretensão de querer extrapolar para as outras horas, os outros dias, as noites, naquela manhã imperava uma tranquilidade generalizada, como se todos estivessem a ressacar  do ataque de nervos e pressentiu-se que as barreiras sociais são ali destruídas e reerguidas sem grande respeito pela traça original, ficando umas mais fortes e outras ainda destroçadas. Talvez por isso, L. , que com ele partilhava um dos bancos da sala de estar, lhe pediu sem hesitações o computador. Queria surfar a web, disse. Nenhuma mulher nas noites da Bica mete conversa com ele, mas na ala de psiquiatria o engate acontece, pensou... A rapariga apressou-se mesmo a usar o laptop com o computador ainda no colo do HpA. Apesar de aquela intimidade exagerada ter sido agradável, logo se agravou, pois L. consultava sem pudor o  correio electrónico dela. Preparou-se então ele para aguentar uma pose de baixo-relevo egípcio, a cabeça virada para o lado a 90 graus, a nuca oferecida a L., mas ela pedia-lhe o contrário: que lhe escrevesse uma mensagem de resposta, isto é, que a dactilografasse, pois tinha as mãos dormentes. Como recusar um pedido daqueles? Ali ficou então a ouvir, de dedos pendentes sobre o teclado,  com paciência para as hesitações dela e tentando não ler a mensagem que recebera. Foi saindo um texto de raiva ao cinismo e indiferença do namorado ou pretendente, mimético  - sim, acabou por ler a mensagem - como sempre acontece nas altercações dos amantes, mas de uma espontaneidade forjada. O HpA remeteu-se a custo ao papel de estenógrafo, sugerindo apenas, com sucesso, que se substituísse "pessoa acertada" por "pessoa certa". Só mais tarde viria a reflectir na diferença e, sendo "pessoa certa" a expressão mais corrente, "pessoa acertada" remete para a ideia de compromisso entre quem se disponibiliza para o acerto e quem disso beneficia. O HpA errou, mas o destinatário de L. não tinha um estilo feliz e para tal criatura qualquer errata seria preciosismo. Ah, ele perguntou, claro, e teve resposta, embora não a percebesse, mas de qualquer modo nunca revelaria aqui o que a levou à urgência de psiquiatria; a excentricidade é delatora. No fim ainda a deixou fazer um telefonema, como se brincassen aos polícias e ladrões, aproveitando para descer até ao primeiro andar e tratar enfim da sua papelada. Deparou-se aí com um guichet de burocracia ao lado de um guichet para heroinómanos em recuperação, todos na cavaqueira apesar da magreza extrema, bebendo shots de metadona como se fossem minis ao relento. Quem vem dos Anjos não estranha esta exibição pública da dependência e só fica a pensar no gosto da metadona enquanto sobe de novo as escadas para recuperar o telemóvel e cobrar o agradecimento a L.  Haverá hálito a metadona? Metadona com sabor a baunilha? O metadona challenge? L. devolveu-lhe o telefone, tristíssima, sem esboçar um sorriso, sem sequer um sucinto "obrigada", oferecendo-lhe logo as costas onde se lia "HSM" em letras azuis. Afastando-se lentamente e cabisbaixa dentro daquele robe turco, parecia um boxeur derrotado e em fim de carreira, mas é rapariga para menos de 30. Não teve ele coragem de lhe oferecer um copo, é certo, mas iria propor-lhe o quê, se ela está circunscrita à ala de psiquiatria? Algo sempre falha. Na Bica bebidas não faltam, mas as raparigas nada lhe dizem, em Santa Maria aparece uma rapariga mas o bar só serve metadona. 

publicado por Homem do pullover amarelo às 01:21
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Quarta-feira, 2 de Julho de 2008

olha a blusinha linda, é a quinhentos, é a mili, é a miliquinhentos

 

 

assistir a um espectáculo da fanfare ciocarlia é garantia de duas horas passadas a dar à perna sem pensar no défice, na euribor e nos tiros para o ar em portimão, sobretudo se a banda vem acompanhada de primos de outros acampamentos, espanha, bulgária e antiga república jugoslava da macedónia, assim mesmo por extenso para não irritar ainda mais os gregos que andam a sofrer de otto rehagel, dizia, a fanfare dá tudo, o público, conquistado à cabeça, também, sacode, balança, na iminência da invasão de palco, susceptível de transformar-se a todo o instante na feira de carcavelos, as tubas sopram, a massa ulula, fazem-se solos desajeitados solos de metais mas tudo com muita alma e força na bochecha, e tudo se incendeia com o par de odaliscas que vai não volta se balançam rés-vés a assistência, provando com os seus monumentais seios que o molico e o nido estão condenados ao fracasso em bucareste e arredores, e ainda pudemos escutar um par de flamenguitos, que não são queijo, a debitarem dores e maleitas em castelhano, fazendo das guitarras óptimas caixas de percussão sempre que sufocavam as cordas com afinco, até me fez lembrar a classe média à portuguesa, abafada e martelada na tola no meio de grande entretém, e ainda assistimos ao número vocal de um alienígena misto de zucchero e raul indipwo, isto se o nosso melhor amigo das colónias tivesse nascido à beirinha do mar negro, e para acabar de vez com a cultura quatro faixas, QUATRO, na voz da imortal esma redzepova, trinado de sonho dos balcãs a fazer esquecer o pretedente ao trono câmara pereira e o seu cavalo ruço, a esma vestida como quem vai adorar iemanjá mas nós é que lhe ficamos prostrados aos pés, rendidos à maré de entusiasmo, à espera que a avalanche tzigani se repita e que se possam sacudir as banhas sem pudor, inclusive até aos passeios da avenida da liberdade, local onde o concerto acabou com o respectivo rodar de chapéu para recolher umas moedas extra. encerrava-se o maior espectáculo do mundo e penso: onze ou doze contos para ir ver o cirque du soleil? foda-se, não se metam nisso. aqui até as fatiotas são melhores.

publicado por Pedro Vieira às 11:19
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Terça-feira, 1 de Julho de 2008

Não tragas outro amigo também

 

Fico sempre desconfiado dos que dizem que preferem um jantar em casa com os amigos do que ir jantar fora. São, normalmente, os mesmos que dizem que não têm paciência para ir beber um copo a um lado qualquer e preferem convidar os amigos – de sempre, claro está – para um serão no lar, doce lar. Nas raras ocasiões em que têm mesmo de sair do seu castelinho fazem aquelas rodinhas irritantes que só falta terem uma legenda por cima a dizer: não incomodar, não estamos interessados em conhecer mais ninguém.

Estão contentes com eles próprios, estes cidadãos e cidadãs. Têm os amigos certos, a família que querem, os filhos dão-se com os filhos dos amigos, passam férias todos no mesmo sítio, viajam em conjunto, a casa é a desejada – com um pequeno barbecue até, para as jantaradas.

Com estes queridos amigos não há novidades: pensam todos o mesmo sobre tudo – ok, nem tudo. Há uns que são do Sporting, outros do Benfica e até há um que é do Porto – e portanto não há discussões estúpidas que não levam a lado nenhum. Há uns concursos para ver quem é mais eloquente na defesa do que todos acreditam ou no ataque ao que todos detestam.

São todos de direita ou de esquerda, cristãos ou ateus, homo ou heterossexuais e, sobretudo, não querem ouvir nada de novo, algo que os confunda, que os agite, que, num momento de loucura, possa parecer fazer sentido.  

Para quê, se está tudo tão bem?

publicado por Pedro Marques Lopes às 19:14
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