Sexta-feira, 8 de Julho de 2011

Gratidão

Eu estive lá. Eu estive lá, no concerto dos Lacraus e dos Velhos no Music Box. Foi um grandessíssimo momento e uma celebração maior. Não tirei notas, não. Acho que nem levei bloquinho. Vivi o instante. Fui para lá viver o instante e vivi-o. Abanei-me, gritei refrões de dedo levantado, quase fundei uma banda.  Vi elementos de proveniências musicais várias e todos cantavam as músicas e participavam no regabofe  - dos Golpes aos Jorge Cruz e ao Samuel Úria, passando pelos Pontos Negros e pela rapaziada da Cafetra como os Pega Monstro e os Passos em Volta. E um tipo que conheci antes do concerto, o Luís Gravito, o Cão da Morte entrevistado hoje pelo João Bonifácio para o "Público" numa peça intitulada "Cão da Morte vai Lamber-nos os Ouvidos" e do qual já ouvi bons latidos cruzados por inspiradas letras.

 

Na peça do João há uma frase dita pelo - passe o palavrão - novíssimo cantautor que resume bem o tom e o espírito que se viveu na terça à noite no Cais do Sodré: "Algures pelo caminho (de Gravito) as coisas tornaram-se mais sérias. Isso aconteceu quando descobriu a Flor Caveira: 'Eu já fazia canções quando os descobri. A coisa que mais me marcou foi a falta de pudor, o à vontade. Para um puto que está a começar é importante ver que há gajos mais velhos a cantar o que lhes apetece". E foi isso que se sentiu no Music Box - primeiro com o bonito concerto dos Velhos e depois com o concertaço dos 'velhos' Lacraus - celebrados por uma série de gente cúmplice deste fôlego criativo de quem se está nas tintas e quer é fazer coisas. Havia no ar um agradecimento a quem abriu caminho para todos os desvarios e arriscanços noisy.

 

 

 

 

Impressionante e comovente o momento em que o Tiago Guillul chamou toda a gente a palco. Estavam ali os subúrbios - mas não só os de Queluz e de Massamá, gritados na canção. Estavam lá os subúrbios como atitude, celebrados por corações de latitudes diferentes. O indie em toda a sua força bruta criadora de identidades fortes, de sentimentos de pertença, o indie protector daqueles que todos os dias se perdem dos carreiros do mainstream. Acho que nunca estive tão próximo de um ambiente roqueiro efervescente, de uma atmosfera que imagino próxima daquela que foi respirada por alguns dos meus heróis musicais em cidades como Londres e Manchester. Ali toda a gente tinha acabado de formar uma banda ou estava prestes a fundar uma. Alguns fizeram mesmo - mas ali muita gente imaginou o seu stage diving. E isso não acontece todos os dias.

publicado por Nuno Costa Santos às 21:47
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