Terça-feira, 28 de Junho de 2011

Efectivamente

Acabo de ouvir um interessantíssimo programa sobre os problemas de obesidade dos cães e dos gatos. O tema é mais vasto, segundo os intervenientes do debate existe um problema de excesso de peso na generalidade dos animais de companhia. Apesar do tema obesidade ser uma das minhas várias fontes de preocupação não me correram lágrimas pelos olhos abaixo. Confesso, ligeiramente embaraçado, que o colestrol canino, os trigliceridos felinos ou o ácido úrico hamsteriano não me tira o sono.

Um dos ouvintes, lendo o meu pensamento, telefonou para a rádio, desatou a insultar as almas frias e insensíveis que afastavam da ordem do dia a discussão de tão relevante tema elogiando a corajosa iniciativa. Acabou o discurso com uma citação do Alexandre Herculano: “quanto mais conheço os homens, mais estimo os animais”.

Como a mim também me dá para fazer generalizações idiotas quando o calor me torra os neurónios, queria dizer que os indivíduos a quem já ouvi fazer comentários daquele género eram todos ou cretinos chapados ou infelizes criaturas com sérios problemas de convivência social ou tristíssimos punheteiros ou gente com uma auto-estima tão pequena, tão pequena, que chega a passar por convencida e pretensiosa. Normalmente têm todas as qualidades enunciadas.

Mais uma vez com o Estio como desculpa lembro apenas: as pessoas dão trabalho.

Dá trabalho ter amigos, não é fácil lidar com os humores daqueles que gostamos. Amar, ser amigo de alguém, não é como salivar quando alguém nos dá um gosto. Não existem amores ou amizades incondicionais. Não damos uma coça a um amigo e esperamos que ele nos beije no momento seguinte.

Somos assim, bons agora, maus depois; ternos hoje, cruéis amanhã; fieis de manhã, promíscuos à noite; vemos só qualidades no nosso amigo e uma hora depois descobrimos lamentáveis defeitos. Somos um mundo de sentimentos e de dúvidas, duvidamos dos outros tanto como duvidamos de nós próprios.

Gosto de gente. Das qualidades e dos defeitos. Da  imprevisibilidade. De saber que vou ter de lutar pela sua fidelidade e pelo seu amor. De ter a certeza que não me vão dar a pata porque isso lhes está na sua natureza ou porque lho ensinaram. Das suas traições e das suas paixões.

Ah, os bichos são giros.

 

 

 

 

 

 

 

 

publicado por Pedro Marques Lopes às 00:12
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De Isa a 5 de Julho de 2011 às 15:16
Tou consigo, só sabem é cagar e mijar onde não devem, os bichos, bem entendido. fora isso nao dao trabalho nenhum, qq coisa que a gente faça eles nao estao nem aí e amam-nos na mesma. nao reclamam, contentam-se com pouco, comida e cama e pouco mais.
abç
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