Terça-feira, 3 de Maio de 2011

Perfeitamente normal

Hoje ainda não sei se sou o Tito Andrónico ou o vocalista dos Guns and Roses (não me apetece abrir a wikipedia para ver os nomes e a minha memória já não é o que era). Estou entre o the enemy is everywhere e o sweet child of mine. Isto não é uma decisão em que eu seja tido ou achado, e no entanto vai condicionar o meu 2 de Maio de 2011. É estranho isto estar a acontecer. Acordei com uns trejeititos de Morrisey e vesti-me à Bruce Springsteen (arregacei as mangas da camisa e vesti uns jeans justos). Ainda ressacado pela morte dum filho da puta deu-me para pôr o disco dos Titus, mas depois fugiu-me o pezinho para o chinelo, e vai de ouvir o riff do Slash.

Como é claríssimo para qualquer pessoa, estar entre músicas ou artistas depende de algumas coisas: se o vizinho nos resmunga, se está sol, se ficamos com um bocado de fiambre do pequeno-almoço entalado entre o molar 25 e o 24, ou se um tipo nos crava uma croniqueta ou uma converseta. Também é evidente que se de repente uma moçoila passa por nós, o Mayer Hawthorne ou mesmo o Al Green, que há em todos nós, se solte. Ontem, por exemplo, com tanta manif, uma mistura de José Afonso e Billy Bragg cresceu em mim, mas dominei a coisa, respirei fundo, e dei-lhe com um shot de Alejandro Sanz para me acalmar.

Eu sei que há duas ou três pessoas, talvez mais meia dúzia, que não acordam a encarnar uma musica ou um artista pop. Há até, consta, gente que não muda de artista durante o dia. Mas a esmagadora maioria das pessoas a quem isto acontece sabem o perigo que correm. É perigoso, muito perigoso. Lembro-me de não conseguir largar o Mamma Mia dos inqualificáveis Abba e foi um espectáculo de bichice o dia todo. E aqui há atrasado misturei o Cocaine Blues do Cash com o Sid Vicious e tive de me fechar no quarto durante umas horas valentes. Bom, agora vou atar o lenço ao pulso e marcar uma plástica às maças do trombil enquanto estou sweet chil of mine, e rezar, rezar muito para amanhã não me sair um Marc Almond qualquer. Ah, passou-me o Andrónico.

publicado por Pedro Marques Lopes às 00:02
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