Sábado, 20 de Dezembro de 2008

Portugal é o Bruno Aleixo

A primeira vez que me falaram do Bruno Aleixo usaram o termo "génio" de forma tão desbragada para o qualificar que automaticamente desmereci o bicho. Não uso o termo "bicho" de forma gratuita: fui à procura da figura no Youtube e dei com um bonequinho saído da Guerra das Estrelas que debitava conselhos sem sentido. Não fiquei propriamente fascinado, mas retive um sotaque geograficamente localizável entre a Mealhada e Viseu que me pareceu louvável, porque sou muito boa pessoa e amo o povo. Acresce dizer que tenho a certeza que estas coordenadas estão certas, particularmente porque nunca estive nem na Mealhada nem em Viseu.

 

Num zapping nocturno descobri o programa do Aleixo na Sic-Radical. O programa do Aleixo permitiu-me praticar o meu desporto preferido: não gostar. Tento sempre não gostar de tudo o que toda a gente gosta, e esforcei-me muito por não gostar do Aleixo. Infelizmente, o programa é brilhante, o que me leva a odiar o Aleixo.

 

Desde que o tinha visto no Youtube o Bruno Aleixo mudou: já não é um bonequinho da Guerra das Estrelas - agora é um cãozinho e tem uma mantinha. A seu lado está um busto, denominado Busto. O Bruno Aleixo é um ser lamentável. Sabem aqueles tipos que são iguais à avó? Pois bem: esse é o Bruno Aleixo. Um tipo (um cão) que apenas abre a boca para rezingar, mandar vir, reclamar e mostrar, por argumentos insondavelmente insanos, que todos os outros são idiotas. Eu amo o Bruno Aleixo.

 

O  imaginário do Aleixo apenas comporta conversas sobre os méritos das pegas em  baquelite ou as notícias do Diário de Coimbra. Tudo o que o Aleixo diz e faz é apenas e só em mérito próprio. O Aleixo é provinciano, mesquinho, rebarbado, inculto, machista, fanfarrão e tem sempre de ganhar. O Aleixo é a única pessoa que eu gosto em Portugal. É alguém que oferece maçãs da sua macieira, desde que as apanhem do chão. Alguém que oferece uma arca frigorífica a um espectador do programa, em particular porque a arca está estragada. Amável, avisa para levarem uma vanete porque aquilo ainda é grande. O Aleixo é um poço de amor.

 

Não sei se já alguém disse isto, mas o Bruno Aleixo é o Larry David português. Conversa sobre nada e implica com tudo. O seu único objectivo é conseguir o que quer, mesmo que o que queira seja ganhar uma discussão insignificante ou provar que é o maior. Que o Larry David português seja um cão que parece uma velha a falar só pode fazer todo o sentido. Estou quase a ir mais longe e a dizer que o Aleixo é a pátria toda mas ainda me aparecem uns tipos do PNR a dar-me porrada. Mas eu, pelo Aleixo, até era capaz disso.

publicado por João Bonifácio às 00:47
link do post | comentar
1 comentário:
De m. a 20 de Dezembro de 2008 às 02:10
curioso, durante toda esta semana, vi, com muita vontade, alguns- Bruno Aleixo no Youtube... porque era aquilo que me apetecia mesmo ver ... texto difícil e brilhante como tantos outros :))

Comentar post

Autores

Pesquisar

Últimos posts

Contra nós temos os dias

Do desprezo pela história...

É urgente grandolar o cor...

Metafísica do Metro

A Revolução da Esperança

Autores do Condomínio

Hipocondria dos afectos

A família ama Duvall

Notícias do apocalipse

Meia idade comparado com ...

Arquivo

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

tags

todas as tags

Subscrever