Sexta-feira, 19 de Dezembro de 2008

as palavras

 As palavras são. Mas também dizem. Sobretudo aquilo que queremos aferir delas, na nossa interpretação muito pessoal, sobretudo quando refluxos de memória vêm ao goto, sobretudo quando vêm polvilhadas de infância e ou puberdade, sobretudo já parava com esta repetição de uma palavra em forma de casaco que aqui serve outros propósitos que não o de agasalhar.

 

Vem esta curta prosa a propósito do lançamento do último livro do Mexia, ali ao Incógnito, faz hoje uma semana. No dito - lançamento - veio à baila a palavra Gina, enquanto objecto significante de revista e de felicidade às mãos-cheias. E quem pertence a esta geração, bem como a outras imediatamente anteriores, nunca mais conseguiu isolar outras Ginas daquela em forma de revista, besuntada a papel couché e fotos de fazer inveja a uma grande angular. Conheço até uma muito querida (Gina), que explora um estabelecimento comercial no ramo da hotelaria, e que muito me custa enredar nestes baraços da memória selectiva.

 

E enquanto o Mexia falava na Gina, e agitava o canhenho editado pela Tinta da China com direito a Scorpions na fronha, eu pensava noutro vocábulo que vai não volta me assola a cabeça: pachacha. Palavra rude, significado truculento, suficiente para gerar um casus belli de mal-entendidos aqui na bloga. Sucede que eu não vejo a pachacha assim (abrenúncio) até porque tão desditosa laracha servia para designar um indivíduo que ganhou a alcunha num dia em que disputávamos uma partida de futebol em plena rua e uma rabanada de vento o levou a morder o pó, que é como quem diz, o alcatrão. O desgraçado chamava-se Carlos portanto havia muita gente que o tratava por "pachacha" com notório alívio. Era magricelas e fracote e logo algum génio do quase subúrbio que é a minha zona de criação o apodou com referências pouco subits à feminilidade.

 

E assim uma palavra guedelhuda é para mim motivo de sorriso e terna lembrança da puberdade em calções e ténis rotos da Fute, comprados no Guimarães da estrada de Benfica. Quanto a ordinarices ainda não estamos conversados, eu prometo.

 

publicado por Pedro Vieira às 18:58
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1 comentário:
De Ana Matos Pires a 20 de Dezembro de 2008 às 00:35
eheh, "pachacha" e "guedelhudo" fizeram lembrar-me de uma risota familiar, numa excelente noite algarvia de Verão. Os júniores decidiram trocar os "p's" por "f's" e a conversa derivou em "fachachas feludinhas".

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