Domingo, 14 de Dezembro de 2008

da tosse

 

 

com recursos intelectuais ao nível de uma amiba mas com a ousadia de um dias loureiro também eu gosto de espalhar as minhas referências culturais, sem passar necessariamente por porto rico, glosado na voz dos vaya con dios, que por acaso até eram belgas como os gipsy kings. vá lá uma pessoa entender-se neste mundo pós-moderno. dizia. gente com classe e com mais neurónios do que um protozoário costuma dizer que se deve voltar uma e outra vez à recherche do proust, eu vou voltando aos soul coughing e recomendo. é uma banda que marcou o meu crescimento, sendo que esta frase é uma manobra de diversão destinada a disfarçar a minha infantilidade, como se em algum capítulo eu já tivesse alcançado o estado de adulto (conferir por favor o capítulo comprimento do pénis). 

 

os soul coughing, então, que depois de um álbum subterrâneo e de um outro que os projectou à boleia de um super bon bon (sujeito a uma remistura explosiva dos propellerheads), editaram el oso, ou seja o urso. por causa deles fui pela primeira vez ao dicionário conferir o significado de solipsismo, bojarda com que a imprensa da especialidade os classificava amiúde, e eu discordo desse autocolante de egoísmo superlativo, sobretudo dirigido a quem nos deixou grandes pérolas em forma de rodela de cd, como este rolling, que abre o urso, em batida sincopada, voz nasalada e keyboards que se fazem notar. e entretanto, o empolgamento. 

 

eu gosto especialmente de secções rítimicas e do som grave, de baixo ou contrabaixo, e neste rolling o mesmo resguarda-se até ao minuto e oito, altura em que dá ar da sua graça, para a partir do minuto e quinze exibir um som tão gorduroso como as artérias de um habitante da mealhada. a partir daí é saltar e vibrar, assistir ao tresloucar dos teclados, mesmo que habitemos num prédio sem placa, conceito a que hei-de voltar nestas crónicas, e com vizinhos de baixo directamente saídos do consultório do antónio lobo antunes, à altura em que exercia, ou mesmo depois, que aquilo de andar disfarçado de escritor lá porque despiu a bata não me convence.

 

a partir daí o alinhamento prossegue com o bestial misinformed mas para usufruirem desse naco de bela prosa música ouçam vocês o disco, que o cachet do sinusite é demasiado curto para tanta informação de borla. ai, estes saudosos soplipsistas por quem o povo de lisboa invadiu o palco da aula magna, bons tempos, esses, em que tínhamos os nossos momentos de pequeno distúrbio enquadrado à laia de uma atenas mais moderada.

 

ps: o video que aqui se mostra não é oficial, serve só de muleta à cançoneta

 

 

publicado por Pedro Vieira às 14:50
link do post | comentar
1 comentário:
De m. a 20 de Dezembro de 2008 às 17:23
Entendo tudo isso tão bem... um dia mandei um mail ao m. doughty, de certa forma o mail não lhe foi indiferente pelo q respondeu aqui http://www.mikedoughty.com/blog/archives/000384.html ... nem sei bem se estou arrependida de o ter feito, sei que fui um pouco horrorosa e egoísta mas... recorro a eles muito frequentemente... criaram nada mais que 3 obras-primas... são brilhantes, do princípio ao fim.

Comentar post

Autores

Pesquisar

Últimos posts

Contra nós temos os dias

Do desprezo pela história...

É urgente grandolar o cor...

Metafísica do Metro

A Revolução da Esperança

Autores do Condomínio

Hipocondria dos afectos

A família ama Duvall

Notícias do apocalipse

Meia idade comparado com ...

Arquivo

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

tags

todas as tags

Subscrever