Quarta-feira, 10 de Dezembro de 2008

O Meirim

O Joaquim Meirim foi um treinador mítico do futebol português da década de 70.

Pertencia a uma escola que, não propriamente pelas suas grandes qualidades cientificas , marcou o nosso futebol: António Medeiros e o seu cavalinho do Gary Cooper que não deixou o Rui Paulino sofrer um único golo no Estádio do Restelo durante a primeira volta dum campeonato; o Manoel de Oliveira que era um grande especialista em primeiras voltas mas que era sistematicamente despedido a meio das segundas (dizem as más línguas que era quando as “bombas” milagrosas deixavam de dar efeito); o Henrique Calisto, que se tornou mais conhecido pelos “calduços” que levava dos adeptos das equipas que treinava do que propriamente pelos seus dotes técnicos; Mário Wilson, com a sua barbinha demoníaca que ficou na história por dizer que um treinador no Benfica se arriscava a ser campeão e ele era, sem dúvida, prova viva disso; o Jimmy Hagan que obrigava os jogadores a subir e a descer as bancadas vezes sem fim; o Malcom Allison (já no inicio dos anos 80) que ia num estado tal de bebedeira para o banco que fazia com que os jogadores suplentes passassem o tempo a aquecer longe dele.

No meio desta constelação reinava o maior treinador português de todos os tempos: José Maria Pedroto e o seu famoso boné. Este, porém, era um caso aparte, não só pelas suas famosas manias mas por ser, de facto, de outra galáxia.

Mas, voltemos ao grande Joaquim Meirim. Este treinador ficou não só conhecido pelas célebres tácticas à Meirim mas também pelo seu trabalho psicológico junto dos jogadores. Certa vez, por exemplo, tentou convencer o Freitas, jogador do Belenenses e posteriormente campeão pelo FC Porto, que este sabia nadar. Passadas umas horas afirmando convictamente que sabia, no fundo, no fundo, que o bom do Freitas sabia nadar e obtendo sempre um rotundo não do central, resolve atirá-lo a uma piscina. Resultado: o Freitas não morreu por afogamento por uma questão de segundos e ganhou tal medo da água que nunca mais se aproximou duma piscina ou mar sequer para molhar os pés.

Além de impor uma abstinência sexual total durante a semana antes do jogo – o que provocou uma manifestação histórica no estádio do Restelo em que as mulheres dos jogadores impunham o seu despedimento – tinha uma enorme imaginação para desenvolver novas “metodologias”. Desde os treinos em que eram colocadas dezenas de galinhas no campo que os jogadores tinham de apanhar até  ao célebre jogo de futebol sem bola.

Este revolucionário conceito consistia basicamente num relato que o treinador ia fazendo e em que os jogadores se tinham de mexer em função da descrição do lance.
Num desses treinos, o Murça passava para o Sambinha, tudo isto, claro está, sem bola e com os jogadores a não perceberem bem o que se estava a passar, o defesa direito fingia que cruzava, o Clésio imaginava que parava no peito, passava para o Cepeda e o peitudo atacante marcava um “ganda golo”. Estava o Meirim a gritar golo a plenos pulmões quando percebe que havia algo que estava errado. Então não era que o Cepeda depois de marcar um golaço daqueles não tinha comemorado nem o Rui Paulino estava desesperado por ter sofrido o golo. Imperdoável. Resultado:  duzentas flexões cada um e sem ser a fingir.


publicado por Pedro Marques Lopes às 00:35
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1 comentário:
De anuncios gratis a 25 de Outubro de 2010 às 23:40
Ao contrário do que afirma, José Manuel Pedroto, o "zé do boné", não foi, de todo, o maio de sempre. De acordo com o resto: Meirim foi uma figura ímpar no futebol português!

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