Terça-feira, 1 de Julho de 2008

everything but the thilo krassman

Não conheço uma só pessoa que tenha torcido pela Alemanha ontem. Aliás, não me recordo de, alguma vez, ter visto alguém empolgado com a Alemanha. A Alemanha, em geral, suscita tanta empatia como um frigorífico, uma loja da 5 à Sec, um pacote de batatas pré-fritas. 11 parquímetros provocar-nos-iam o mesmo nível de emoção.

 

Ora, isto não se circunscreve ao futebol. A Alemanha terá sido, muitas vezes, símbolo de muita admiração, mas nenhum amor. Pode achar-se a beleza germânica geométrica, perfeita, mas ninguém perdeu a cabeça por um alemão ou uma alemã. Cometeram-se loucuras por gente de Itália, de França, da Suécia, do Brasil, de Cabo Verde, da Colômbia, mas os affaires com naturais da Alemanha resumiram-se àquele europeu de Voleibol feminino sub-20 em ’87 e ao encontro de vendedores da Volkswagen em Sesimbra, Setembro passado.

 

BMWs, Mercedes e Audi são frequentes símbolos de status, mas quando se fala se sonhos pula-se para os Ferraris e Jaguares. Berlim é uma cidade muito interessante, mas a viagem dos sonhos de toda a gente oscila entre a Patagónia, Nova Iorque uma ilhas no pacífico com palmeiras e água de coco e qualquer coisa a menos de 100 km do Mediterrâneo.

 

Merkel inspira respeito, mas Sarkozy é que agita. O cinema que de lá vinha era excelente, mas, depois, veio aquela questão da cor.

 

Por fim, há, é claro, dramáticas razões históricas para não correr atrás da Alemanha de cada vez que ela avança.

 

Mas no meu caso, querido leitor, não são Hitler, o nazismo e o holocausto o que me motiva o afastamento. Foram personagens e acontecimentos localizados na História que não podemos confundir com um povo inteiro. O meu problema com a Alemanha é aqueloutro projecto secreto de extermínio que eles têm: a música pop alemã.

 

Apanharam-nos de surpresa, à má fila, com os Boney M, mas aguentámo-nos bem. Depois, vieram os Scorpions. Segurámo-nos à vida quase por milagre. Ainda estávamos a sarar as feridas e vieram os Modern Talking. O mundo ainda estava estendido no chão e eles mandam os Milli Vanilli. Quando inventámos o I-pod e rolhámos os tímpanos com headphones para conservação do que resta da espécie, eles infiltram-se como vírus nos ouvidos da rapaziada com os Tokyo Hotel.

 

Enfim. Proibimo-los de formar exércitos e deixámo-los agrupar bandas musicais. Erros de avaliação.

 

Venha o Schweinsteiger e o Goebbels. Do que a malta não estava à espera era do “Still Loving You”.

publicado por Alexandre Borges às 02:55
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1 comentário:
De Miss Green a 3 de Julho de 2008 às 10:45
Eu daquela gente toda só ficava com o Lahm, para poder irradiar do futebol português o Paulo Ferreira...alguém ainda acredita que ele faz alguma coisa como lateral esquerdo adaptado?! O facto de ele fazer parte da selecção num lugar onde é adaptado, não quer dizer já alguma coisa?!

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