Quarta-feira, 14 de Maio de 2008

A propósito de fumos, o fumo (juvenil) do O´Neill

 

 

 

"(Certo dia precisei dum cigarro, mais para mostrar do que para fumar... Não tinha. Pascoaes abriu imediatamente a cigarreira, quase com precipitação:

- Tira destes aqui... E exibia uns cigarros magrinhos, com todo o aspecto de terem sido enrolados e lambidos por ele na véspera à noite... Com uma certa repugnância, já que do poeta apreciava não a saliva mas o verbo, extraí um dos cigarrinhos, disposto a queimá-lo depressa e a não pensar mais nisso...

Pascoaes mirava-me candidamente. E só ao primeiro acesso de tosse do jovem fumador, aquela falsa candura se desfez em riso, num riso grosso e folião, mas cheio de bondade... Eram cigarros cubanos, fortíssimos! E o poeta ria infantilmente com as nuvens de fumo, as lágrimas e a tosse do petulante fumador...)".

 

Alexandre O'Neill, "Recordação Precipitada de Teixeira de Pascoaes", crónica incluída em "Já Cá Não Está  Quem Falou", Assírio e Alvim, 2008.

publicado por Nuno Costa Santos às 23:46
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1 comentário:
De patrícia. a 16 de Maio de 2008 às 14:32
(suspiro)

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