Quarta-feira, 7 de Maio de 2008

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ontem à noite fui laurear a esposa e a pevide, não necessariamente por esta ordem, ao lux do manuel reis, estabelecimento de animação nocturna agora de metro à porta, com a linha azul que é a que mais me convém e como tal lá desembarcámos para ver o concerto dos nossos representantes do western-bacalhau, intérpretes das melhores atmosferas joão césar leone, dead combo de sua graça, que vão trazendo à ilharga um soberbo disco pessimamente baptizado, lusitânia playboys, não se via tamanho tiro ao lado desde que o joão silva escolheu o alias marco paulo. ia com altas expectativas mas saí com sentimentos ambivalentes, o viço e o talento os moços têm-nos de sobra e a gravação em ambiente de estúdio provam-no à saciedade recreativa, transplantados para o palco a coisa tartamudeou um bocadinho, talvez por pouco tempo para ensaios e banhos de óleo, talvez por desconforto natural, os rapazes rangeram um bocado nas calhas, disso não se ressentindo o público, cada vez mais infestado de meninos blasé-chique que se marimbam para o alinhamento, mais preocupados em lançar bojardas para o palco ou em encolher os ombros à prestação enquanto se entorna mais um caneco de vodka importado, viva a liberdade, o 25 do 4 e o diabo a 7 mas a alguns destes enfiava-os no campo pequeno, não para lhes limpar o sarampo mas para que fossem importunar o mark knopfler e as mãezinhas deles que assim os terão criado. os combo estavam preocupados em agradar, choviam dichotes e larachas, eles coloquiais nos agradecimentos, a massa ululante cínica e vagamente interessada. pelo meio chamaram-se pessoas ao palco fora da sua vez, caíram folhas de pauta que impediram o arranque em boas condições da belíssima putos a roubar maçãs, apresentou-se um clone do malato vestido à berardo que deu uns toques de trompete, convidou-se um tipo vestido de verde para actuar em palco, suprema blasfémia em atmosfera de dark spaghetti , o convidado estrangeiro não pôs lá os butes, as meninas à minha frente iam ignorando uma ou outra pérola sonora para varrerem a lista de fotografias do telemóvel 3G, o cãozinho branco, o amigo vestido de fato de treino.
e quanto à música? maioritariamente boa, a guitarra entre o melancólico e o frenético, o contrabaixo entre o musculado e o insinuante, um par de convidados que sabiam massajar os pratos de choque, um vozeirão de escola lírica que abrilhantou o like a drug e que ainda voltou para o encore apesar de os combo acharem que ela já tinha "dado de fuga" (sic), veja-se como começaram envergonhados e acabaram em registo tasca-mesa-de-fórmica-e-dominós, uma versão do sopa de cavalo cansado sem adornos nem arranjos, no osso, com o pedro gonçalves a suar para arrancar os agudos ao contrabaixo, um par de canções de álbuns anteriores a levantarem óptima poeira rock n'roll e ainda a versão simples de desert diamonds, sem kid congo powers que terá ficado pelas américas a debitar estórias às criancinhas enquanto que, à mesma hora, em lisboa, os combo mostravam que o instrumental por trás da voz é de gabarito, muito lynchiano, se um anão aparecesse a correr ninguém estranharia, aliás, preferia um desses indivíduos ao magano plantado à minha frente com a sua afro a bambolear entre a amiga colorida 2.0 e a amiga versão 486, badocha que nem um bud spencer com um pouco menos de buço (embora a penunbra não permita certezas absolutas), também ele (magano) indiferente aos acordes, aos dramas de um punhado e dólares enrolados em massa de pastel de nata para lisboeta ver. em suma, foi fraco e forte, foi caldo e fredo, não consigo decidir-me de forma conclusiva, sei que os moços são ragazze cin cin mas falta-lhes um bocadinho de soberba. caso contrário a maralha abusa. ponham os olhos no umberto smaila, vá.
publicado por Pedro Vieira às 19:43
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3 comentários:
De pnf a 8 de Maio de 2008 às 11:53
Carago, que quem assim (d)escreve não é gago.
De Mónica a 8 de Maio de 2008 às 14:04
O melhor palco para os Dead Combo é mesmo a ZdB, onde não entram - porque tal nunca lhes passaria pela cabeça, e ainda bem! - meninos blasé-chique.
De Raquel Freire a 11 de Maio de 2008 às 17:21
Estou com a Mónica, viva a ZDB ...
O Tó e o Pedro são uns porreiros por isso mesmo, por não serem dados à soberba (apesar de ter achado esta postada bastante boa, não me parece que seja por aí); para além de serem bons músicos, por se saberem recriar, são uns gajos esforçados.

p.s não se esqueçam que além dos Dead Combo eles têm vários projectos musicais paralelos, às vezes não é fácil...

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