Sábado, 28 de Junho de 2008

Trespassando corações

 

 

Quem vem a pé da estação de comboio, chega a Algés de Cima sem fôlego e com fome. Para mais, a vista é breathtaking, pelo que é praticamente sufocado que o HpA se senta à mesa, na varanda. Th. havia já preparado dois espetos em que corações de galinha alternam com fatias abobadadas de cebola e foi pena ter perdido esse ritual. Por algum insondável motivo, veio-lhe primeiro à lembrança a economia daquele militar do Ultramar que alinhava os pretos para matar 4 ou 5 com apenas uma bala; só depois associou o acto de trespassar corações de galinha às coisas do amor. Tão previsível como difícil de resistir. A mão de Cupido guia a flecha para o coração - dois deles; Th. usa as mãos para levar os corações de encontro ao espeto - dezenas deles. "O amor é fodido"? Trivial. Só que o amor também se fode, precisamente no dia em que se inverte o sentido da trajectória que une a flecha ao coração.

 

Em rigor, nem mais um parágrafo devia ser permitido sobre o amor. Apesar dessa vaca sagrada que é a liberdade de expressão, há alguma simpatia na figura de um censor omnisciente e omnipresente capaz de indicar a melhor e a pioneira das citações a quem acaba de escrever as suas ideias sobre o amor e está prestes a comunicá-las ao mundo, porque é estatisticamente improvável – para não dizer formalmente impossível – que a sua experiência, tão relevante para a sua biografia, acrescente algo à biosfera. Até Zizek, quando fala sobre o amor, soa a prosa de revista para mulheres: "You see perfection in imperfection itself... " Haja vergonha. Sucede que com Th. esta é uma discussão recorrente e como atenuante apenas se pode recordar que acontece de 2 em 2 anos, lá fora como aqui, com uma regularidade que não chega a ser abalada pelas circunstâncias próximas, mesmo se para ele "o charme da mulher portuguesa é o de uma Irene Papas que deu certo".  


Um coração grelhado de franga  - seria galinha? - pulvinhado de sal grosso foi mastigado devagar, como se as maxilas respondessem por simpatia ao moinho de vento que ainda vai girando com lentidão, sendo aquele movimento – dir-se-ia um espírito – a única coisa que sobreviveu à passagem do tempo na moradia arruinada diante da varanda, cujo jardim se transformou numa selva de buganvílias gone wild. O HpA topou poderes hipnóticos no moinho e – pior ainda – viu ali uma porta aberta para a analepse. Por isso desviou o olhar, mesmo a instantes de ser eolicamente transportado para o jogo do prego na praia em que se deparou com o primeiro amor, mas quase jura que ainda ouviu o barulhinho do prego a enterrar-se na areia, que matizou o country da sala de world music, com uma percussão que nem o produtor mais experiente seria capaz de identificar, a menos que tivesse passado o Verão de 1978 na Praia da Rocha. Viu então um cargueiro a entrar no Tejo que, majestoso, parecia esticar o Largo do moinho até ao horizonte. O lusco-fusco tardio circa equinócio de Verão mostrava a fuselagem branca da avião que se fazia a Lisboa de piscas ligados, destacando-o do firmamento como um objecto estranho mas identificável. E em terra, o casario até ao rio, ao fundo a ponte, depois o Cristo, a sugestão dos estaleiros da Lisnave... Mais perto, pousado numa cadeira, o Every Day Drinking de Kingsley Amis. Ao reparo de HpA de que não seria grande livro, Th. comenta: “it depends how much you like to drink”. É uma virtude saber responder com princípios gerais.

(Continua) 

 

 

publicado por Homem do pullover amarelo às 15:29
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His Own Private Shyamalan

.

 Se os cavalos e a Jane Fonda também se abatem,  custaria assim tanto silenciar dois rafeiros com o misericordioso e certeiro balázio entre os olhos? Às seis da manhã, a cacofonia que lhe entra pela casa deixa-o nostálgico dos passarinhos do jardim da Embaixada de Itália, do ronronar dos pombos - essa banda sonora de águas-furtadas - e até daquela prostituta que por vezes fura o silêncio das madrugadas com as suas altercações. Há chineses por estas bandas e não seria difícil pedir-lhes que fizessem o trabalhinho. Não foi tanto pelo timbre e volume desagradáveis, foi pela falta de cadência do som. Não há nada pior do que um som desagradável sem cadência, e pior do que os latidos de cão, só mesmo o high-pitch das adolescentes americanas - "How do you plead? Guilty... she didn't scream, though" Isto é curioso, sendo ele capaz de adormecer sob qualquer estímulo, visto que vai pelos dias em permanente défice de sono. Um diálogo de Vivian Leigh e Clark Gable? Zzzzzzz... Monica Bellucci desabotoando-lhe a camisa com os dentes enquanto desce pelo seu corpo? Zzzzzz... Mas perante a imprevisibilidade dos latidos de rafeiro confessa-se desarmado. Literalmente desarmado, sem a tal caçadeira de beirão em casa, nem poder de arremesso capaz de dar um uso ao berbequim ligado - funciona a bateria - além da bricolage caseira. Não contou os cães, não os viu sequer quando espreitou pela janela. Na sua cabeça eram já piores que os dos Baskervilles e tomando nas mãos o peso da caçadeira virtual, nem perante um inesperado São Bernardo hesitaria no disparo. Talvez só mesmo se em vez dos cães tivesse dado com golfinhos, porque os ilhéus são criaturas terríveis e ele, que tem uma metade de ilhéu, desconfia que algum antepassado terá provado o lombo daqueles sublimes cetáceos, o que é prática quase canibal, capaz de amaldiçoar até à terceira geração. Perdido nestes pensamentos, os cães acabariam por ir ladrar para o Intendente e quem sabe se não picaram a língua numa seringa perdida, caindo num torpor heroinómano que poderia ter sido providencial caso a cadência regular da cauda de um golfinho em agonia não o tivesse despertado ainda mais. Afinal as cadências regulares também tomam conta de nós. Havia um círculo de vizinhos sorumbáticos que ia apertando cada vez mais em torno do golfinho. E ainda a cauda contra o empedrado da calçada, perdendo humidade acusticamente, tum, tum, tum... Uma cena péssima, como se Night Shyamalan vivesse nos Anjos, coisa que, de resto, a gente não estranharia.

 

 

publicado por Homem do pullover amarelo às 08:26
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Sexta-feira, 27 de Junho de 2008

Luís de Freitas Lobo

 

Brederode Santos pode ser o nosso melhor cronista, mas colocado perante um qualquer tópico, o HpA nunca pensa: "o que faria Brederode Santos?"  Em regra, ele pensa: "o que faria Luís de Freitas Lobo?", embora por vezes a ideia seja não repetir o erro. Isto foi a teoria. Agora a prática: como escreveria Luís de Freitas Lobo sobre os profiteroles do restaurante L'Épicerie, em Paris? A resposta segue amanhã.

 

publicado por Homem do pullover amarelo às 16:44
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A última refeição

 

Sem contar com os machos lituanos suicidas, os doentes terminais e os condenados à morte, ninguém sabe quando saboreia a sua derradeira refeição -  e Jesus está eliminado porque ressuscitou. Há alguma fortuna nisto, porque comer implica perspectivas de futuro e é insolúvel a contradição nesta ideia de uma última refeição em consciência. No caso do condenado, resta-lhe o niilismo ressabiado ou o epicurismo por imposição. Não é bonito. O hábito de atender ao último capricho gastronómico do condenado existe para se fazer as pazes com ele, tentando assim evitar-se que o seu fantasma venha a apoquentar o carrasco. São vários os mecanismos de atenuação da culpa do carrasco na pena de morte, do capuz em quem erguia o machado à diluição da responsabilidade no pelotão de fuzilamento. Ora, a julgar pela extravagância e fartura de alguns pedidos, à falta de uma reconciliação em vida, é por uma eterna pausa pós-prandial que o fantasma não chegará a incomodar, pelo que o método da última refeição, de uma forma ou de outra, em regra funciona. Porém, por vezes o condenado aproveita a oportunidade para comunicar algo ao mundo  - um escolheu apenas uma azeitona, outro pediu que em vez dele alimentassem um sem-abrigo com uma pizza vegetariana . São instantes terríveis, a lembrar o absurdo que é a pena de morte. Em rigor, a última refeição do condenado devia ser ração - ... para cavalos, que fica sempre bem a evocação cultural -  pois será depois tratado como um simples animal. 

 

Imagem retirada de Final Meals

publicado por Homem do pullover amarelo às 06:42
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Quinta-feira, 26 de Junho de 2008

A vida é um DJ set

 

Há pessoas cujas vidas são do género "acaba uma música e começa outra" - as músicas arrancam do início e vão, muito racional e ordenamente, até ao fim, sem qualquer tipo de mistura. E há aquelas cujas vidas têm mais a ver com os set de DJ - a música que se ouve ainda não terminou e já se ouve a nova. A nova música - a nova fase, no fundo - vai-se impondo aos poucos à primeira e durante a passagem ouve-se o som da mistura, umas vezes mais harmonioso, outras vezes menos. Por vezes, mesmo quando a nova música já se impôs, ainda se  conseguem ouvir vestígios sonoros da outra. Súbitos. Inesperados.  Voyeurs. Até que o DJ resolve baixar definitivamente a via da primeira canção.

publicado por Nuno Costa Santos às 15:50
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Onde está o amor

Nas cidades as maiores provas de amor não estão nos casais de namorados que se entregam aos beijos nos banquinhos dos jardins. Nas cidades as mais fortes provas de amor continuam a estar  nos cidadãos que passeiam os seus cães terrivelmente feios como se passeassem sublimes criaturas. Tão ou mais feios do que aquele que venceu este sinistro concurso.

 

publicado por Nuno Costa Santos às 15:03
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Quarta-feira, 25 de Junho de 2008

Pobres, honrados e literariamente apetecíveis

Da última crónica de Lobo Antunes ficou-me sobretudo o excelente título: "Crónica descosida porque me comovi". Uma crónica chamada "Crónica descosida porque me comovi" dá vontade de ler. O ponto do texto é que já não comprei. Aliás, começa verdadeiramente a cansar a ideia, demasiado difunda nas artes literárias, de que um padeiro vale mais humana e literariamente do que um economista. Frases como "O que sonhará um economista, a que brincava um gestor em criança?"  e  "Não conheço nenhum economista (...). Se conhecesse abria-lhe logo a tampa a fim de espiar o que traz na barriga: cartões de crédito, canetas caras, camisas por medida?" são demasiado primárias para alguém que se tem como "grande escritor" - e que, na minha opinião, ficará sobretudo pela rara qualidade de alguns dos seus textos mais curtos do que pela força da generalidade dos seus romances. Por mim, confesso, gosto tanto de Nelson Rodrigues quando fala de uma "grã-fina" como quando fala do desgraçadinho do bairro.  Um "grande escritor" (seja lá o que isso for) percebe que um banqueiro pode ser tão denso quanto um sapateiro. Que uma tia de Cascais pode ter labirintos mentais mais intensos e interessantes do que um calceiteiro de Alfama. Que essa coisa de julgar "artisticamente" as pessoas por condições sociais - e por praticarem ou não golfe - é um equívoco de principiante. E é sobretudo uma atitude superficial face à vida e às suas personagens, mais complexas do que a fatiota que lhes cobre os ombros.  

 

publicado por Nuno Costa Santos às 15:05
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O preguiçoso ansioso

 

Só há uma coisa pior do que ser preguiçoso: é ser um preguiçoso ansioso.

Este tipo de animal é alguém que convive mal com o facto de ter a perfeita noção de que a preguiça não tem rigorosamente nada de elogiável. A verdade é que só se pode viver bem com a preguiça se não se for preguiçoso. A preguiça do não-preguiçoso é o descanso merecido do guerreiro. Nós, os preguiçosos, nunca descansamos pelo simples facto de que nada ou pouco fazemos. Ou melhor estamos sempre cansadíssimos de nada fazer. É esta a particularidade do preguiçoso ansioso.

Ninguém imagina o stress que causa chegar à noite e verificar que todas as promessas de árduo trabalho, feitas pela manhã, resultaram em nada. Não há trabalhador nenhum que entenda a ansiedade do preguiçoso quando a meio de uma qualquer tarefa, por azar, olha para a Bola, e resolve ler o Duda Guenes. A angústia que causa a passagem pela porta do Ginásio onde se inscreveu vai para dois anos e onde foi 2 vezes. A raiva interior que se gera por ficar a ver o “preço certo” por dar muito trabalho ir buscar o comando que não está ao alcance da mão.

Para piorar tudo, nós, os preguiçosos ansiosos, somos todos profundamente masoquistas. É que ainda para nos massacrar mais, fazemos questão de viver e conviver com autenticas formigas atómicas para quem um momento de torpor é pior que depilar o peito. A verdade é que essas pessoas só nos deixam pertencer às suas vidas para poderem constatar o quão boas elas são, ou seja, até a nossa preguiça lhes é útil e produtiva.  

 E para este enorme grupo, a que eu infelizmente pertenço, não há nada mais perturbante do que ler aqueles impostores textos que elogiam a preguiça. Fossem eles verdadeiros preguiçosos e jamais escreveriam patetices do género: “ai que bom ter um livro para ler e não o fazer”. Perdão? O animal que escreveu isto nem dormia. Escreveu biliões de palavras e ainda tinha um emprego “normal”.

Haja respeito. 

publicado por Pedro Marques Lopes às 12:33
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Profissão: falta de fé

Não me recordo qual veio primeiro: se a Comunhão Solene se a Profissão de Fé. Tenho vagas imagens de colegas de escola aprumados em minúsculos fatos brancos, azuis, cinzentos, até prateados, meninas de vestidos - julgo que todos brancos -, meninas que anos mais tarde e vários números de copa acima tiveram a minha admiração, secreto carinho e povoaram os meus sonhos na exacta medida em que nunca me cumprimentaram. Deixo-lhes aqui o meu perdão.

Eram miniaturas dos pais, aqueles miúdos, com as roupas escolhidas pelos progenitores, a forma de sentar nos bancos da missa, quem cumprimentar - tudo segundo as regras dos pais. E havia a fotografia: a pose, o endireitar das costas que simbolizava a rectidão do lar. E as flores que as raparigas seguravam nas mãos: jarras, gladíolos, quando muito rosas brancas que as rosas rosa podiam lembrar carne.

Tenho a certeza que não comungámos solenemente: lembro-me de ficar entre duas raparigas, desatento ao desenrolar do evento, incapaz de seguir o guião trabalhado até à exaustão durante semanas. E lembro-me de como o ar de inocência que as meninas tinham ensaiado para as fotografias antes da cerimónia desapareceu mal nos sentámos nos bancos: cócegas uns aos outros, pequenas tropelias, orações ditas com palavrões sussurrados pelo meio. E a piscadela de olho de K: não se imagina que uma rapariga de nove anos saiba piscar o olho (assim) ou eu não sabia piscar o olho (assim). Mas sabia que não se devia piscar o olho (assim).

Algures nessas cerimónias comprometemo-nos com comportamentos aceitáveis, prometemos erradicar a mentira do mundo, ajudar os pobres, dizer a verdade aos pais, não pecar por actos, palavras e omissões. Não nos desviarmos de um caminho.

Essas promessas resultaram num certo ódio que até hoje mantenho à palavra "caminho" tal como à palavra "omissões". Suporto, tenho compaixão, quase carinho pela mentira, pela agressão, pela traição, pelos pecadilhos - que estão quase sempre ligados directamente aos instintos primários. Mas tenho dificuldade com a omissão, com essa omissa, impossível de determinar linha, entre verdade e mentira que os humanos traçam e retraçam e apagam diariamente - e que é quase sempre fruto da mesma aprendizagem social que nos dizia como sorrir para a câmara fotográfica.

E ainda hoje me assombra uma expressão que é o exacto oposto do rosto ao espelho: Profissão de Fé. Não lhes bastava Economia Paralela da Fé. Ou Biscates da Fé, Recibos Verdes de Fé. Nem sequer Emprego de Fé ou Trabalho de Fé. Tinha de ser Profissão: uma contrato com horários, eventual recompensa, hierarquias marcadas, função social. O que fizemos desse contrato? Qual foi o resultado da nossa entrada nos quadros vitalícios da função pública do Bem?

MA fez doutoramento na Escócia, O na Holanda, L é advogado, R desistiu do curso e herdou a carpintaria do pai, vi-o há umas semanas, tem dois filhos, é feliz, ou diz sê-lo. K abortou pela primeira vez aos 15, I engravidou aos 16 e o pai foi de caçadeira a casa do namorado oferecer a mão da filha em casamento. L escondeu a barriga até entrar no hospital para parir o puto e a mãe teve um enfarte quando soube. (Sobreviveu.) T morreu de sobredose, R de acidente de automóvel.

Podemos ter tido o sucesso dos primeiros, o azar dos segundos. Podemos acabar a arrumar carros como um tipo do bairro do Lamarão cujo nome não me recorda, ou ter o mesmo fim de um moço - acólito - que se suicidou de tiro de caçadeira. E podíamos ter aprendido a jogar futebol decentemente ou a estrelar um ovo. Essa pequena volatilidade dos destinos (um espermatozóide mais sacaninha, um copo a mais antes do volante) é tão óbvia e real que não assusta - e o mais certo é acabarmos quase todos numa omissa linha entre os primeiros e os segundos.

Mas há uma coisa que os que por azar e idiotice dos pais tiveram uma educação católica têm de temer: a Profissão de Fé.

É que um tipo pode deixar a carpintaria para tornar-se pintor - mas não consta que se livre das farpas que lhe atravessaram as mãos.

publicado por João Bonifácio às 01:59
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Terça-feira, 24 de Junho de 2008

Ordem de trabalhos

Próxima entrada do Diário Gastronómico-Existencialista do HpA:

 

 

24.06.08:Deli Deluxe: o dia em que salvou uma mostarda de Dijon das garras de fina flor lisboeta.

 

22.06.08 Cervejaria Ramiro : "gratificação" ou o dia em que Rui Zink grafou "gorgeta" e depois fez uma errata.

 

Circa Maio de 2008: As batatas de Tatiana ou a fulanização da estatística.

 

Circa Maio de 2008: Petrus cozinha para quatro

 

 

publicado por Homem do pullover amarelo às 06:25
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