Quinta-feira, 13 de Setembro de 2012

Grande, grande era a Cidade

Segundo mensagem automática, estiveram ausentes do seu escritório, durante 15 dias, os cidadãos portugueses. Quinze dias sem respostas, com papelada a aguardar despacho, repousando num sono profundo de, pelo menos, dez dias úteis. Boas férias! Goza muito e gasta pouco! Fico a aguardar resposta, com os melhores cumprimentos, não quero saber.

 

Recuperado do coma induzido - o seu posto de trabalho - lá vem ele, todo lampeiro, a pairar como uma libelinha, leve e bronzeado, não se apercebendo do que o espera. Mas depressa tem de despertar. Acorda, Zé! Está na hora da cidade, das pressas e das urgências, do trânsito real e o trânsito da rádio, das notícias agressoras, dos programinhas da manhã e da musiquinha revivalista, das centenas de emails, das satisfações e dos compromissos.

 

E quando a noite cai, já quase nem se vê o céu natural. Já não há o "nosso Alentejo" e todas essas referências serôdias do escravo da urbe. Qual nosso, qual quê?! Qual casinha rústica, qual quê?! Qual comidinha típica, qual quê, seu cristóvão colombo de Odivelas?! Que a vida não se esgota nos 22 dias de férias, nem o mundo fica suspenso depois do teu adeus, até ao meu regresso. E o povo, esse macaquinho de zoológico que entretém turistas, também és tu, no teu meio. Ah! matéria única de entretenimento ou de pesquisa antropológica.

 

Regressam tristonhos. Acabou-se o que era doce, já que estamos numa de chavões. Então e a cidade? Vamos acabar com essa tristeza ridícula. É preciso reconciliarmo-nos com a luz artificial da cidade, essa verdadeira conquista. Viva o brilho das avenidas e as ruas cheias de gente; os teatros e os cinemas; a música nos passeios; os restaurantes sem lista de espera; a diversidade toda, deste e do outro mundo. Sai de casa, companheiro, que os dias nunca são iguais. E a cidade também merece o melhor de ti.

publicado por jorge c. às 11:00
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