Quinta-feira, 23 de Fevereiro de 2012

Ai se eu te pego


António Lobo Antunes disse há uns anos atrás que um tipo se torna escritor quando o seu domínio da escrita coincide com uma experiência de vida da qual este consegue verter uma história digna de ser contada. Esquecendo por momentos que essa opinião faz de mim um analfabeto sem nada para dizer, reconfortado por saber que Lobo Antunes não nos está a ver, vou traçar um paralelismo arriscado e dizer que acontece algo parecido com a beleza feminina. 

Pode falar que eu não ligo,
Agora, amigo,
Eu tô em outra,
Eu tô ficando velha,
Eu tô ficando louca.

Nestas coisas, convém sempre ter a certeza. Por isso, a primeira coisa que fiz antes de escrever sobre mulheres a propósito de Mallu Magalhães foi, até por questões legais, certificar-me de que ela já é mulher. A Wikipedia diz que Mallu nasceu em 1992, e só assim me foi possível escrever este texto. Conheço-a há alguns anos, desde que me foi apresentada como a suposta (e polémica) namorada de 16 anos de Marcelo Camelo, membro dos para mim veneráveis Los Hermanos e autor de um par de belos discos a solo. Mas isso agora não interessa para nada. O que eu quero dizer hoje é que, ainda mais importante do que descobrir Mallu Magalhães, a diva instantânea do vídeo acima, é redescobri-la enquanto mulher. Passo a explicar.


Em cima, à direita, vemos Mallu Magalhães, prestes a terminar o 11º ano. O tipo ao lado dela é o tal Camelo, uma espécie de deus da presciência que, contra todas as evidências, antecipou a transformação que a vida e as canções - ou, se quisermos ser justos/má onda, o marketing - operariam na pequena Mallu. Pois é. Se Mallu menina era amorosa, a mulher é uma ode a esse momento surpreendente e estonteante em que o domínio dos quadris coincide com um olhar digno de ser lançado ao mundo. 


Claro que sim. Eu espero um bocadinho. Perplexem-se à vontade, eu já cá volto.


Nem vem tirar
Meu riso frouxo com algum conselho
Que hoje eu passei batom vermelho,
Eu tenho tido a alegria como dom
Em cada canto eu vejo o lado bom.

Pode falar qu'eu nem ligo,
Agora eu sigo
O meu nariz,
Respiro fundo e canto
Mesmo que um tanto rouca.



E pronto. Isto é o que eu tenho para dizer hoje. Não lhe tirem o riso frouxo, que hoje ela passou batom vermelho. Podem não concordar com Mallu, mas não a censurem por seguir o seu nariz. Ou por se pavonear graciosamente na plenitude do momento surpreendente e estonteante em que o domínio dos quadris e um olhar digno de ser lançado ao mundo coincidem como se o CERN tivesse posto o acelerador de partículas a funcionar. É uma coincidência luminosa, ou nefasta, a de uma mulher plena de faculdades literárias. Como ambos somos maiores de idade, achei que valia a pena registar o facto.

publicado por Vasco Mendonça às 16:39
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3 comentários:
De são joão a 26 de Fevereiro de 2012 às 12:43
A magia que uns quilos a menos, uma plástica ao nariz e um personal stylist (roupa, cabelo e makeup) fazem. É linda de facto e bem menos artificial que a Lana. Que nosso senhor a conserve.
De Suelen a 14 de Agosto de 2012 às 23:17
Muito boa mesmo essa musica, anima e manda a gente pra frente, foi meu toque no celular por meses e despertador, é sempre bom alguém nos lembrando que podemos ser feliz com pouco!
De Ana Maria a 21 de Outubro de 2013 às 16:53
Ela amadureceu!!! este é o segredo. Escondo todas as minhas fotos e foras da época dos quinze! A nova fase "velha e louca" é um tapa na cara da sociedade exigente e chata!

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