Quinta-feira, 9 de Fevereiro de 2012

Quoque tu, Pedro?

Um homem é sensível. Temos os nossos momentos de inabalável resistência e vigor. Mas, há alturas em que a melancolia nos toca (de forma absolutamente legal) e vacilamos num sentimentalismo com características de andropausa. Isto é coisa para todas as idades. Aparece como uma espécie de intervalos lúcidos dentro de uma vida de solidez emocional. Dos oito, por aí adiante.

 

Porém, contudo e todavia, existe por aí uma tendência generalizada para esconder este lado fofinho da humanidade; esta inevitável circunstância de se estar vivo, que é sentir as merdas, levar a peito e deixar-se levar pelos misteriosos desígnios do coração. A pessoa que sente vê-se castrada pelo ostracismo dos que sentem mas que não o dão a entender.

 

Só por causa disso, vou agora postar uma canção de um senhor que sentia tanto, que acabou por trocar a heroína por um hara-kiri perfeitamente executado em casa da sua senhora. Atentai:

 

 

Está, assim, na hora do cinismo ir embora. Precisamos de mais lamechice, para que se restaure a independência das emoções. Calma, meus maricas, também não é preciso tornarmo-nos todos Emo's, de repente. Basta, apenas, deixarmos as pessoas sentir como bem lhes apetecer e largarmos a velha máxima de que os homens não choram numa qualquer repartição de finanças, como naquele poema do Manel da Fonseca (um comunista do pior).

 

E logo quando precisávamos de reforçar este movimento nacional pela lamechice, vem o Sr. Primeiro-Ministro da República Portuguesa acusar o seu pobre povo de pieguice. Não que eu goste de falar de actualidade, mas estas coisas revoltam-me. Acusar uma pessoa de explorar e expressar as suas emoções é como querer obrigar-nos a fazer hara-kiri. Ora, eu só faço hara-kiri voluntariamente, como aquele cavalheiro ali de cima.

 

Exijo uma revolução pela lamechice. É urgente.

publicado por jorge c. às 00:33
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1 comentário:
De J. R. a 9 de Fevereiro de 2012 às 01:31
Quando a minha mão me chamava piegas, eu fazia os trabalhos de casa e entre um beijo e a vergonha lá ganhava o tempo de antena lá fora no quintal. Outros chamaram-me burguês, ainda estudam lá fora para ser alguém na vida...

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