Segunda-feira, 30 de Janeiro de 2012

Viva Madrid

Era capaz de jurar que há exactamente 19 anos estava em Madrid. Melhor, estava mesmo. Se bem recordo os meus hábitos da altura, devia estar num boteco qualquer a experimentar a quantidade ideal de vermouth dum dry martini. Como já na altura era um rapaz cumpridor das tarefas a que me propunha, não brincava em serviço. O teste em causa levava horas, obrigava ao consumo de vários exemplares do cocktail, mas era algo que tinha de ser feito, e eu sempre cumpri os meus deveres com zelo e dedicação. Curiosamente, descobria que a bebida se tornava excelente ali por volta da nona, décima tentativa. Também, com certeza por causa das qualidades dos ingredientes, o meu castelhano por essa altura tornava-se fluente. Uma das características do meu consumo alcoólico era, aliás, essa: transformava-me num poliglota. Lembro-me como se fosse hoje duma conversa de mais de 6 horas em Dubrovnik regada a São Domingos, em croata claro está.

Já na altura, e não mudei com a idade, passados dois ou três dias de estar num sítio qualquer estava-me a perguntar porque diabo tinha saído de Lisboa. Dessa vez, porém, tinha boas razões. Ia a uma consulta médica e não tinha outro remédio se não desfrutar das belezas madrilenas iguaizinhas às de Guayaquil ou Paio Pires, leia-se bares e quejandos.

Mas, de repente, a cidade tornou-se na mais bela das cidades. A Serrano a mais fashionable rua do mundo, os cafés da Castelana locais mágicos, os bares e restaurantes do Prado absolutamente magníficos, o pôr do sol nas Portas do Sol maravilhoso, os salgados da Maiorca os melhores a oeste de Pecos, o Thyssen dava cartas a todos os museus do universo, os huevos da Casa Lúcio um manjar dos deuses e até aquela bernabeuana latrina atrás do José Luís subitamente parecia menos repugnante. “Chego amanhã”, disse ao telefone uma voz.

Viva Madrid

publicado por Pedro Marques Lopes às 23:59
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16 de Abril de 2013 às 02:06

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