Quinta-feira, 5 de Janeiro de 2012

roquenrola

Tenho pensado no Like a rolling stone. Os dias do aborrecimento, da angústia grosseira da normalidade, do tédio standard, provocam-me uma certa nostalgia pateta. Oh, once upon a time you were something! Agora és invisível. Não tenho grande pachorra para ataques de nostalgia. É um bocadinho como a gripe: trata-a antes que seja tarde e fiques de cama. Porém, neste caso, a sensação de que as coisas já foram melhores nasceu de duas conversas. Numa delas, as pessoas falavam sobre o seu trajecto de vida, profissional. Ora, eu não tenho um, de facto.

 

A minha vida passou-se, sobretudo, naquela outra conversa. É uma conversa comum que surge sempre com a mesma questão: o que é o rock'n'roll? Apesar de não ter uma resposta concreta, perfeitamente definida, arrisco dizer que passei por lá e que esse foi o melhor período da minha vida. Não porque tenha saudades mas, porque foi a única altura em que não me senti invisível, em que me sentia em casa - essa certeza confortável que é sentirmo-nos em casa.

 

Todas as noites, a vibração das cordas nos dedos, as palavras ditas como um reflexo, os olhos fechados e o corpo livre. Todas as noites, de roda no ar, no red line, bebendo cada copo como se fosse o derradeiro; o cheiro do tabaco na pele e a inquietação a ser exposta sem limites. É um estado único, onde não existe pragmatismo, cálculo ou objectivo. Existe, apenas, instinto e a ideia de que hoje pode ser o último dia, sem aquelas mariquices do carpe diem. Dentro desse estado fui invencível, porque livre. Nunca conseguirei descrever tão bem o estado de rock'n'roll como este refrão de Probot:

 

Rock out, make it quick
My, my, my, let it rip
Rock out, feeling good.
Break your heart. Shake your blood.

 

Está tudo aqui.

 


 

Para o Vidal e para o Xinas

publicado por jorge c. às 12:03
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