Segunda-feira, 2 de Janeiro de 2012

mensagem de ano novo

Não foi por isso. A vida não tem corrido mal. Também não sei quando foi. Algures, por causa de qualquer coisa, tornei-me um pessimista rabugento. Nota-se muito nestas épocas do ano. De ser o chato que inunda as caixas de mensagens alheias com épicas mensagens de felicidades ao mono que não tuge nem muge foi um passinho. Falta o deslumbre. A frescura – a do Português de Portugal e a do Português do Brasil – de acreditar. Um tipo deixa-se ir nisto. Nesta máquina de despertadores, tarefas, listas de supermercado e doenças pontuais. E dá por si a cumprir os mínimos olímpicos na hora de brindar.

 

Só que este ano aconteceu uma coisa estranha. Isto de sentir a fé dos amigos. De receber as mensagens e os mails e os telefonemas e neles perceber que as pessoas importantes não estão a cumprir calendário. Que cada uma à sua maneira criou um postal de boas festas que, por uma vez, não poderá ser usado todos os outros anos, para todas as outras pessoas. São discursos de aqui e de agora, entre nós. Mensagens com a lucidez que compreende o presente, que fogem às palavras habituais, que não fingem o que não acontece, certas do tempo que vivem, capazes de descobrir razões para celebrar e inspirar em quem as lê um pouco da mesma confiança que derramam sobre o princípio do futuro. Auto-irónicas, humorísticas, socialmente incorrectas. Poderosas.

 

Não fossem os meus amigos e cairia no erro de pensar que o pessimismo é coisa de adulto, como o aumento galopante de visitas à farmácia ou o brutal desaparecimento do nosso interesse por discotecas com mais de duas pessoas à espera para entrar. Pessimismo é coisa de parvo, mesmo que, no fim, o pessimista esteja quase sempre certo. A pessoa madura sabe disso tudo, mas também sabe que não há nenhum gozo nisso. O prazer vai no risco de estar errado.

 

Bom ano.

publicado por Alexandre Borges às 23:50
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