Quarta-feira, 26 de Outubro de 2011

E se o Governo fosse uma equipa de futebol?

Comecemos então.

 

 

Pedro Passos Coelho – Roberto

 

Começamos com o Primeiro Ministro e um guarda-redes cujo melhor elogio recebido em Portugal foi o de jogar bem com os pés. Pedro Passos Coelho é o Roberto deste plantel: o PM quer acreditar que os milhões de votos que deram por ele são de gente que ainda confia na sua governação; acredita que o mérito do seu trabalho acabará por vir ao de cima, mas até agora notabilizou-se por ir buscar bolas ao fundo da baliza. Acredita que a economia vai crescer 3,5% ao ano, acredita que Portugal não é a Grécia, sabe de fonte segura que as agências de rating vão cair na realidade, assegura que o Pai Natal parte da Lapónia todos os anos, e provavelmente espera que os seus três caniches vivam para sempre.

 

 

Vítor Gaspar – Xavi Hernandez

 

O Ministro das Finanças é o elemento mais cerebral do actual Governo, e aquele que pauta naturalmente o jogo de toda a equipa. Xavi Hernandez, seu paralelo futebolístico, é o pai do tiki-taka, um modelo de jogo que enerva o adversário e acaba por adormecê-lo através de uma eficaz circulação de bola, seguida de movimentos de ruptura absolutamente letais. Já Vítor Gaspar é adepto do hara kiri, um estilo de suicídio que fará deste governo o pior da história da democracia portuguesa.

 

 

Paulo Portas – Freddy Adu

 

Depois de umas habilidades num futebol de outro campeonato, Freddy Adu deu por si em apuros quando o hype sem fundamento o levou a pisar alguns dos relvados mais importantes da Europa, e outros menos honrosos. Com o fim da viagem, viria também o reconhecimento da inaptidão e o retorno do pequeno trota-mundos a casa. Infelizmente para os portugueses, também o Ministro dos Negócios Estrangeiros há-de regressar à base.

 

 

José Pedro Aguiar Branco – Jorge Ribeiro

 

Deve ser difícil chegar ao Bairro da Boavista e ser “o irmão do Maniche”, o que não ganhou uma Liga dos Campeões, foi dispensado do Benfica e é hoje um fiel sucessor de laterais esquerdos como Nelo, Caetano ou Quim Berto. O ministro José Pedro Aguiar Branco, coroado com 3,61% dos votos nas últimas eleições do PSD, encontrou em si o amor fraterno aos colegas de partido para pôr de lado as divergências de base e juntar-se à solução de unidade capaz de tornar o ministério da Defesa numa estrutura que não faça dois gajos virarem-se um para o outro no café e perguntarem: “mas p’ra que é que serve aquela merda?”. Até agora, está a falhar. É o único ministro que tem direito a ser tratado por 4 nomes, até porque não é major nem coronel de coisa nenhuma.

 

 

Miguel Macedo – João Moutinho

 

Se tivesse ardido muita mata no último Verão, seria fácil comparar Miguel Macedo a Mario Balotelli, o mal amado de Manchester que há uns dias atrás chamou os bombeiros a sua casa depois de lhe ter pegado fogo a brincar com pirotecnia. Felizmente, não é esse o caso, portanto fiz-me valer da recente declaração auto-vitimizadora do Ministro da Administração Interna em que este abdica de um estranho subsídio de alojamento (que daria para pagar 3 RSIs ou, no caso do Ministro, cerca de 28 bifes no XL). A forma como "abdicou de um direito" fez lembrar a sequência de contorções faciais que João Moutinho faz quando alguém lhe toca dentro de campo. Primeiro, age como se tivesse uma fractura exposta. A seguir, choraminga junto do árbitro. Coitadinhos.

 

 

Paula Teixeira da Cruz - Geraldo Alves

 

Geraldo, hoje um competente e pacato assalariado do AEK de Atenas, é irmão de Bruno Alves. Formou-se no Benfica e foi em tempos aquilo a que na gíria se chama um sarrafeiro do caraças (Bruno Alves deve muito do que sabe ao seu mano). Para quem não acompanhou o início de carreira de Geraldo, imaginem um centro-campista capaz de guardar dentro de si todas as injustiças do mundo, mas apenas capaz de as resolver com entradas a pés juntos. Foi um pouco assim a chegada de Paula Teixeira da Cruz ao Governo, mas, como Geraldo Alves, também a ministra se tem vindo a acalmar, caminhando vagarosamente para a única reforma que parece estar ao seu alcance: a sua.

 

 

Pedro Mota Soares – Franco Baresi

 

Franco Baresi, lendário jogador italiano, construiu toda a sua carreira jogando a líbero. O que tem isso a ver com Pedro Mota Soares? É tão provável encontrar um líbero no futebol moderno como identificar solidariedade e segurança social no ministério com o mesmo nome. Pedro Mota Soares é portanto o líbero deste governo, ocupante inglório de um cargo que, se o CDS mandasse realmente nisto, faria dele o Ministro do Combate à Preguiça Popular e da FlexInsegurança.

 

 

Álvaro Santos Pereira – Paulo Futre

 

Álvaro e Paulo. Universidade de Vancouver, Escola da Vida do Montijo. Dois homens, dois trajectos, a mesma convicção: vai vir charters, ou, no caso do Álvaro, empregos. Enquanto Futre vive confortavelmente na bolha que é o seu magnífico ego, “o Álvaro” parece uma criança obrigada a participar no teatro da escola. Esqueceu-se das falas, transpira por todos os lados e a coisa já só se endireita se alguém pegar na deixa e continuar a história sem ele.

 

 

Assunção Cristas – César Peixoto

 

Ninguém sabe explicar como é que ambos foram parar a clubes grandes, mas eles lá estão. A César Peixoto podemos gabar, no máximo, o facto de ser o melhor defesa-esquerdo metrossexual do futebol português. Assunção Cristas, por seu lado, ficará para a história por uma irrelevância do mesmo calibre, como mentora de um ministério da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território sem gravatas. Diz-se que Deus está nos detalhes, mas isto, até para alguém religioso como a ministra, é levar o chavão longe demais.

 

 

Paulo Macedo – Zlatko Zahovic

 

Após uma passagem profícua pelo F.C. Porto, o mago Zahovic rendeu-se à economia de mercado e foi até Valência em busca de pesetas. Pouco tempo depois, regressaria a Portugal para abrilhantar o deserto de ideias que era o Benfica daquele tempo. Um pouco como Paulo Macedo, antigo Director Geral dos Impostos, cargo que abandonou em ombros para uma aventura na banca, de onde saiu em Junho para repensar o jogo do Governo na área da saúde. Busca ainda entrosamento, mas tem procurado jogar em futebol directo – directo ao bolso dos utentes do SNS.

 

 

Nuno Crato – Madjer

 

Esqueçam o Madjer do calcanhar de Viena. Refiro-me a outro Madjer, futebolista de praia, o mesmo que há alguns anos atrás estagiou durante 2 dias com o plantel de futebol de onze do Vitória de Guimarães. Desistiu da ideia quando percebeu que o campo era demasiado grande e que não dava para fazer pontapés de bicicleta com a mesma facilidade. O Ministro da Educação e Ciência já esteve mais longe de chegar à mesma conclusão.


O empresário/suplente de luxo/treinador/adepto/guarda abel 

 

Miguel Relvas – Jorge Mendes

 

O Ministro dos Assuntos Parlamentares não é bem um ministro. Em linguagem moderna, podemos dizer que é um connector. Mas é mais do que isso. É também um fixer, uma espécie de Michael Clayton com menos 10 cms, mais 10 kgs, e muito menos tempo para lidar com questiúnculas éticas. Se fosse futebolista, deixem-me cá ver, seria George Weah, o que partiu o nariz a Jorge Costa, foi suspenso por 6 jogos e recebeu o prémio fair play no fim da mesma época. Como não é futebolista, olhemos para ele como o empreendedor-sombra do actual ciclo governativo. O Governo é a sua Gestifute; o mundo uma complexa rede de relações para gerir. E o resto é conversa – sempre ao telemóvel, conforme se vê.

 

Entretanto, ocorreu-me comparar Carlos Moedas ao Paulinho das toalhas, mas acho que já chega por hoje.

publicado por Vasco Mendonça às 10:41
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6 comentários:
De Eremita a 26 de Outubro de 2011 às 11:13
Muito bom, apesar de incompreensível para 95% das mulheres.
De Jorge a 29 de Outubro de 2011 às 00:36
Para além de escreveres mal e de seres absolutamente banal em tudo o que escreves (pelo menos neste post), acumulas uma soberba insuportável: no fundo, achas que isto tem piada. Não tem. Bem espremido, aliás, deste texto só se retém a consciênciazinha de esquerda de alguém que quer mostrar ao mundo que é um gajo porreiro.
De golimix a 26 de Outubro de 2011 às 11:46
Também já fiz dois " mix" de futebol/governo, mas de forma diferente.
Se lhe der a curiosidade pode consultar - http://golimix.blogs.sapo.pt/8460.html e http://golimix.blogs.sapo.pt/8717.html -
Mas também gostei deste artigo, mais profundo e reflexivo.
Inté, cumps
L.Maria
De Exilado no Mundo a 26 de Outubro de 2011 às 16:37
Excelente, com uma (grande) exceção: a associação de Vítor Gaspar a Xavi Hernández é criminosa. Este governo não tem ninguém cerebral. Tem muita gente sem coração, isso sim. E já que falamos em cabeça:
http://exiladonomundo.blogspot.com/2011/10/o-restaurador-olex.html
De José Marques a 26 de Outubro de 2011 às 22:59
Muito bom Vasco. Pena que seja em versão light. Precisava de mais Paulinho Santos a tratar-lhes das canelas. Este Governo é uma verdadeira equipa de canastrões, daqueles que se jogassem contra bidões , perdiam 5 a 0. Ainda por cima tem uma prosápia mentirosa de jogadores de matraquilhos...
De Sousa Mendes a 27 de Outubro de 2011 às 10:53
Salvo o insulto ao Weah , achei brilhante. Parabéns !

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